Entre nós. Nunca mais é muito tempo

Luís Osório

Escritor, jornalista e cronista

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Tive oportunidade de trocar duas palavras breves e um abraço longo com Rute Cardoso, mulher de Diogo Jota. Há momentos em que um abraço é mais forte do que as palavras por mais poderosas que pareçam. A morte de Diogo Jota, e do seu irmão, consternou milhões de pessoas um pouco por todo o lado. Jogava no Liverpool, era uma estrela de quem se gostava com facilidade, como se nunca tivesse deixado de ser o miúdo simpático e humilde de Gondomar.

Ao ler a biografia de José Manuel Delgado, uma surpresa boa tê-la escrito, confesso que fiquei tão ou mais comovido como no dia em que soube da tragédia. Não há nada que me emocione mais do que o fio ínfimo que nos separa da queda – podemos estar bem, felizes, encantados com a vida e espantados de existir, mas no minuto a seguir sermos atropelados por um qualquer destino que nos corta o futuro a direito.

Antes de Diogo pegar no carro, antes de seguir caminho numa estrada sem regresso, foi ao cinema com Rute, o que não faziam há muito tempo. Uma comédia romântica, claro".

Antes de Diogo pegar no carro, antes de seguir caminho numa estrada sem regresso, foi ao cinema com Rute, o que não faziam há muito tempo. Uma comédia romântica, claro. Com Dakota Johnson e Pedro Pascal, história perfeita para rir e chorar e dar beijinhos protegidos pelo escuro da sala. Saíram abraçados e felizes e decidiram ir comer às roulottes com amigos do bairro, os que já eram seus íntimos na adolescência, os que assistiram aos primeiros beijos, aos primeiros golos, os amigos a quem Diogo pagou pela primeira vez um almoço ou uma viagem. Tinham casado 11 dias antes e estavam nas nuvens, um minuto antes de tudo se desmoronar.

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