E o Mali a patinar a uma Holanda de distância!

Raúl M. Braga Pires

Politólogo arabista. Professor no Instituto Piaget de Almada

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O Mali caminha, dia após dia, para o estatuto de Estado falhado, pois, semana após semana, há sempre mais um ataque jihadista bem-sucedido às FAMa, as Forças Armadas do Mali.

Após os ataques coordenados do 25 de Abril, o JNIM, os “ansares do Islão e dos muçulmanos” – que traduzido para português, não fica mal chamar-lhes o “ai Jesus dos muçulmanos desprotegidos”, sempre no espírito Al-Qaeda –, o JNIM, dizia, desde a referida data, estabeleceu um eixo de Kidal a Bamako, que corresponde a um “Bragança-Faro”, que lhe permite controlar e condicionar as principais cidades, como se se tratassem das luzes antigas da Árvore de Natal: quando fundia uma, a sequência seguinte também não acendia.

A semana passada, foi Gao, “a Coimbra”, que viu emboscada à coluna militar das FAMa, com baixas humanas e significativos danos ao material de guerra, segundo o grupo islamista.

Ter posição e poder neste eixo rodoviário facilita os ataques, que não têm obrigatoriamente que ser com armas tradicionais. O modelo uma motorizada-dois homens tem demonstrado ser suficiente para, com efeito formigueiro, rodear, parar e apoderar-se dos camiões que fornecem combustível às cidades.

Sem armas, esta acção aprovisiona os terroristas, alimenta-lhes os sonhos a gasolina, porque ter o depósito cheio permite a prospectiva, e desregula os ritmos urbanos das cidades/populações privadas do combustível que faz carros e economia andar!

Vladimir Putin já demonstrou estar inteirado desta incapacidade maliana e russa também, tendo já enviado mais armamento para este combate cada vez mais desigual.

E porquê desigual?

Porque a aliança JNIM/FLA, islamistas com tuaregues da Frente de Libertação de Azawad, sendo contranatura, mantém a faísca que a aliança FAMa/Africa Corps, nunca materializou. As FAMa dentro da natural rivalidade entre tropas especiais, descapitalizou tudo, ao cair nos revisionismos da cor de pele e no karma dos mestiços! E os russos do Africa Corps, alistaram-se para fugir ao desemprego e porque engravidaram a(s) namorada(s)! Isto, perante quem acredita em Deus e nas 72 virgens, é normal que membros do JNIM, continuem a abraçar patentes FAMa e Africa Corps, de “Bragança a Faro” e a acrescentar camadas ao conceito de Estado falhado.

Com perdas crescentes de controlo territorial, as “boas armas” do antigamente, passam agora de mão em mão, entre islamistas e independentistas tuaregues. Quanto às populações, aderem a quem lhes mata a sede e lhes garanta um sono descansado.

O sonho do pedaço de terra livre, para a constituição do Califado, mantém chão e pensamento firmes no Mali, que curiosamente, ou não, fica tão perto de Portugal, quanto a Holanda fica longe!

Escreve de acordo com a antiga ortografia

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