Direita programática e direita psiquiátrica

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Apesar de no papel serem mais de 30, na prática no Brasil só existem dois partidos: o PT, de Lula da Silva, e o anti-PT.

O primeiro partido anti-PT foi o PSDB, com quem o PT rivalizou taco a taco nas presidenciais de 1994 a 2014, e que representava a chamada “direita programática”.

Defendia privatizações para atrair investimento, programas de apoio social de média dimensão e alinhamento internacional às potências ocidentais versus uma agenda do PT baseada no Estado como indutor do crescimento, na ampliação do assistencialismo e no bloco BRICS.

Definhado até à quase morte, o PSDB cedeu o papel de anti-Lula a Jair Bolsonaro, expoente da chamada “direita psiquiátrica”.

Como deputado negou a existência de ditadura militar, aplaudiu a tortura e disseminou o slogan “bandido bom é bandido morto”, já no poder atacou a vacina contra a covid-19 e uma vez fora do Planalto tentou um golpe de Estado.

Por essas (e por muitas outras), a “direita programática” migrou para Lula: Fernando Henrique Cardoso (FHC) e José Serra, líderes do PSDB, apoiaram-no na segunda volta de 2022 e Geraldo Alckmin, outro ex-líder do mesmo partido, foi em 2022 e é em 2026 candidato a vice dele.

Mas a “direita psiquiátrica” juntou-se a Jair e Flávio Bolsonaro por eles repetirem o mantra “Deus” – aderindo às pressas ao neopentecostalismo –, “Pátria” – mesmo batendo continência a bandeiras estrangeiras – e “Família Tradicional” - não obstante o pai ter sido casado três vezes e o filho, segundo notícia não desmentida, participado em orgias com prostitutas em 2022. E por ambos, apesar de bem pagos funcionários públicos toda a vida, passarem a defender Estado mínimo.

A “direita programática”, tipo FHC, até pode colocar o dedo no nariz e fechar os olhos, mas prefere votar Lula.

A “direita psiquiátrica” vota em qualquer coisa menos nele porque 1) o acha um devasso que apoia causas LGBT e outras, e 2) associa ao PT todos os casos de corrupção do Brasil, embora o bolsonarismo tenha criado um Mensalão maior do que original, o Petrolão tenha corrompido deputados de 30 partidos e o Banco Master seduzido sobretudo a direita.

Há quem vote por ódio geográfico: morando em estados, no Sul e Sudeste, com razoável nível médio de vida, sentem-se espoliados por arcar com impostos para o Bolsa Família e outros programas que beneficiam, sobretudo, “vagabundos do Nordeste”; são, portanto, patriotas de meia-pátria.

E, num país estratificado por um apartheid socioeconómico, parte deles odeia o ex-miserável nordestino, ex-metalúrgico e ex-sindicalista exatamente por ele ser um ex-miserável nordestino, ex-metalúrgico e ex-sindicalista. “Quem este ‘cara’, saído da ‘senzala’ de Pernambuco, pensa que é para entrar assim na ‘casa grande’ de Brasília e ainda dar quotas a negros e pobres para estudarem nas ‘nossas’ universidades?”

Dia 25, mais uma vez, a escolha é entre o Brasil de Lula (e da direita programática) e o Brasil dos anti-Lula (e da direita psiquiátrica).

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