"O navio atracou propositadamente em Nova Iorque, na última semana de maio, de forma a apoiar, através de um conjunto de eventos, a candidatura de Portugal a membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Portugal foi eleito logo na primeira volta, num resultado inédito. Eu e toda a minha guarnição sentimos um enorme orgulho por termos podido contribuir, de alguma forma, para este desfecho. Esta ação é um exemplo de que a Sagres, conhecida como o Embaixador Itinerante de Portugal, é um instrumento de excelência ao serviço da diplomacia nacional”, disse o comandante José Eduardo de Sousa Luís, na entrevista publicada na edição de terça-feira do DN. Nos Estados Unidos, a ação diplomática da Sagres continuou mesmo depois do sucesso português na ONU, com a participação nas celebrações dos 250 anos da Declaração de Independência dos Estados Unidos. Nos eventos a bordo do navio-escola português serviu-se vinho Madeira, uma alusão ao vinho escolhido pelos Pais Fundadores para o brinde daquele histórico 4 de julho de 1776.É evidente que, a favor do papel da Sagres como “Embaixador Itinerante”, joga o prestígio marítimo de Portugal, um país com uma história ímpar na relação com os oceanos, mas a beleza do veleiro de três mastros conta também – basta ver como impressiona a sua saída ou chegada a um porto. Os americanos, e a comunidade portuguesa nos Estados Unidos, por exemplo em New Bedford, puderam testemunhá-lo, e muito em breve serão os açorianos a ter esse prazer, pois a Sagres fará escala na Praia da Vitória e em Ponta Delgada. Finalmente, tem chegada prevista a Lisboa para 23 de agosto. Será um espetáculo ver a imponência do navio na aproximação ao rio Tejo. O efeito visual conta.. Essa beleza da Sagres é partilhada com as suas irmãs. São cinco veleiros construídos no mesmo estaleiro alemão. São eles, além da Sagres, o Gorch Fock, hoje um navio-museu na Alemanha, o Eagle, que é o navio-escola da Guarda Costeira americana, o Mircea, da Roménia, e o Gorch Fock II, da Alemanha. E há uma relação muito interessante entre estas cinco irmãs, também conhecidas na versão inglesa como as Five Sisters, e que passa pela disputa de um troféu chamado exatamente Five Sisters, o que voltou a acontecer em águas americanas.Cito aqui, de novo, o comandante José Eduardo de Sousa Luís, que tão bem sintetizou a tal relação entre veleiros com uma origem comum, mas hoje ao serviço de diferentes países: “Em 1976, por ocasião das comemorações do Bicentenário da Independência dos EUA, a organização instituiu este troféu para ser disputado entre elas. Nessa ocasião, a vitória sorriu ao Gorch Fock II. O regulamento estabelece que, sempre que as Five Sisters se reencontrem numa regata, o troféu deve voltar a ser disputado. Contudo, durante os 50 anos seguintes, as cinco irmãs nunca mais voltaram a reunir-se. Nas comemorações do 250.º aniversário da Independência dos EUA, foi possível reunir quatro das cinco irmãs e voltar a disputar o troféu. Estes navios não são exatamente iguais. São irmãs, mas não são gémeas. Num percurso relativamente curto, as características específicas de cada navio acabaram por ter maior influência no resultado do que a estratégia adotada, tendo o Gorch Fock II, a irmã mais nova, conquistado novamente o troféu.” O percurso foi entre Nova Iorque e Boston.Curiosamente, uma das irmãs da nossa Sagres tem escala prevista no Porto de Lisboa em meados do mês e estará num fim de semana aberta para visitas do público. Falo da Mircea, da Marinha da Roménia. Também a grande nação latina do Leste da Europa, país banhado pelo Mar Negro, acredita nesta espécie de diplomacia marítima, em que Portugal se tem mostrado exímio, com grande contributo da Sagres.Portugal tem um passado marítimo, mas sobretudo tem um futuro que passa pelas potencialidades daquilo a que chamamos “Mar Português”. A Marinha assume um papel essencial.