Devolver Coimbra a quem nela vive

Ana Abrunhosa

Presidente da Câmara Municipal de Coimbra

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O espaço público não pode continuar a ser apenas um lugar de passagem ou de escoamento de trânsito; tem de ser o palco da nossa comunidade, do encontro e do bem-estar. Pensar o futuro de Coimbra exige a coragem de redesenhar a forma como vivemos o território nos próximos quatro anos, construindo uma cidade ecológica, de proximidade e feita para as pessoas. A premissa é clara: devolver a cidade a quem nela habita, garantindo que o progresso ambiental e a mobilidade inteligente caminham de mãos dadas com a economia local e a qualidade de vida.

Nesta Coimbra que projetamos, o Mondego é parte vital. Assumimos o compromisso de promover um crescimento voltado para a água, criando uma nova centralidade em ambas as margens: habitação e empresas inovadoras viradas para o rio, frentes ribeirinhas transformadas em fachadas dinâmicas de comércio e vida residencial, e grandes parques de lazer que consolidem o Mondego como o pulmão verde e azul da cidade, dedicado ao desporto, à cultura e às famílias.

Para tornar a cidade mais respirável, propomos corredores verdes contínuos que interliguem os bairros, promovam a biodiversidade e ofereçam caminhos seguros para a mobilidade suave. No coração desta abordagem estão os mais novos: parques infantis modernos e inclusivos em todas as freguesias, zonas pedonais e áreas de coexistência onde as crianças possam brincar e caminhar para a escola em segurança. Uma cidade estruturada para as crianças é excelente para todas as gerações.

Nas ligações curtas e íngremes da nossa geografia entra a micromobilidade, veículos ligeiros elétricos e bicicletas partilhadas, complementada por soluções mecânicas pedonais. À semelhança de Vitoria-Gasteiz, Capital Verde Europeia, ponderamos escadas rolantes ao ar livre em pontos estratégicos, criando uma rede capilar que ligue a Baixa ao topo da colina universitária com rapidez e zero emissões.

Esta transição não significa diabolizar o automóvel, mas geri-lo com equilíbrio. Os residentes das zonas centrais e históricas não serão penalizados: garantiremos acessibilidade, estacionamento exclusivo e facilidade de circulação, para que a redução do trânsito de passagem sirva precisamente para proteger quem cá vive.

Para libertar o centro sem prejudicar o comércio ou quem nos visita, instalaremos parques dissuasores nas principais entradas da cidade, plataformas intermodais com ligação rápida e frequente aos transportes públicos.

Por fim, o Sistema de Mobilidade do Mondego é a espinha dorsal desta transformação e o seu sucesso exige fechar a malha do Metrobus, servindo os principais polos de emprego, saúde, habitação e ensino. O objetivo é simples: que o Metrobus seja mais rápido, previsível e confortável do que o carro próprio, tornando o transporte público a primeira escolha natural.

Avançar Coimbra é desenhar um futuro onde o Mondego nos une, o verde ganha espaço ao betão e as ruas ganham nova vida. É esta a Coimbra que estamos prontos a construir convosco.

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