Ao longo do último mês, Portugal foi assolado por uma onda de tempestades devastadoras. Inesperadamente, o domínio humano sobre a natureza vacilou, gerando um sentimento de desconsolo por toda a parte.Naturalmente, estes são sempre momentos de desânimo. Mas são também ocasiões em que a grandeza humana se revela. Sob a orientação das autoridades municipais, da Proteção Civil, das forças de segurança e do Exército, cidadãos de todo o país ofereceram voluntariamente o seu serviço aos que se encontravam em condições vulneráveis, com o auxílio de paróquias, instituições sociais e empresas. De modos diversos, muitos foram os que mostraram que, séculos após a sua fundação, Portugal continua a ser uma comunidade onde o espírito solidário e o bem-comum predominam.Embora marcados pela mobilização popular, estes eventos naturais mostraram, porém, que as autoridades responsáveis têm ainda muito a fazer para melhorar a resposta a potenciais situações de catástrofe. Ao Governo atribui-se, legitimamente, um papel determinante na orientação da ação das instituições nacionais nas zonas mais afetadas; mas como se viu, dada a sua proximidade face aos cidadãos e ao maior conhecimento que têm do terreno, é das autarquias locais que a sua execução depende, tanto na prevenção como na ação. Contudo para facilitar a gestão eficiente dos territórios, as Entidades Públicas responsáveis pela aprovação das estratégias de prevenção têm que deixar de estar reféns da burocracia.No dia 5 de março, os esforços do Governo para remediar os danos causados pelas tempestades evidenciaram-se. Ao abrigo do PTRR, foram disponibilizados 137 milhões de euros do Fundo Ambiental para reabilitar o património ambiental municipal, reconstruir diques, limpar os resíduos gerados e prevenir os incêndios rurais para este ano.Todavia, munir as autarquias de mais meios para responder a estas ocorrências requer, sobretudo, investir nos seus mecanismos de prevenção de eventos naturais. É certo que nem tudo pode ser acautelado nestas situações - a prevenção, sempre dependente do impacto imprevisível das catástrofes, nunca substitui a ação, razão pela qual a intervenção das autoridades no terreno se afigura tão importante.Ainda assim, a prevenção consolida sempre a ação. E, no domínio da segurança, são vários os equipamentos em que os municípios podem investir para assegurar respostas mais eficazes a estas situações. Além da construção de bacias hidrográficas para o escoamento de água, a implementação de redes de sensores de monitorização meteorológica guiados por inteligência artificial, cujos dados permitem prever a ocorrência de eventos naturais, é um instrumento imprescindível para permitir às autoridades atuar mais rápido no terreno e, assim, assegurar a proteção dos cidadãos e dos seus bens nestas circunstâncias.Investir nas comunidades locais não é apenas uma estratégia guiada pelo chavão da descentralização política e administrativa; é uma exigência de uma governação que se pretende eficaz e, sobretudo, centrada nos interesses das famílias. E, para garantir a sua segurança, prevenir é sempre melhor do que remediar.