Abundam na Europa os ativistas anti-imigração que pregam evangelhos de desamor [de raízes antigas] ao próximo, em especial se for de cor, religião ou cultura diferente, catalisado por redes sociais que cavalgam o medo e cultivam o ódio para aumentar o engajamento.Estamos no dealbar da mais importante vaga de imigração a caminho - a de IA, hoje [poucas] praticamente apenas por via digital, amanhã em número ilimitado e incorporando também robôs autónomos humanoides.Os imigrantes desta vez não serão seres humanos, a chegar em barcos frágeis sem visto ou a tentar atravessar a fronteira no meio da noite. Hoje são algoritmos das redes sociais e bots de IA generativa, amanhã serão milhões de agentes de IA capazes de escrever melhor do que nós, mentir melhor do que nós e viajar à velocidade da transferência digital de dados sem precisarem de vistos.Tal como os imigrantes humanos, trarão tanto benefícios como problemas. Teremos médicos de IA a ajudar sistemas de Saúde, professores de IA a apoiar a Educação e até guardas fronteiriços de IA a tratar da imigração humana.Muitos dos problemas atinentes à imigração humana aplicar-se-ão certamente à imigração de IA. Estes agentes de IA vão ocupar empregos. Vão mudar completamente a cultura, incluindo a arte, a religião, o relacionamento pessoal. E terão lealdades duvidosas, provavelmente ao serviço de empresas ou governos nos EUA ou na China em vez dos países onde operam.Em bom rigor, a questão coloca-se já na presente fase dos “grandes modelos de linguagem” (LLM) - sistemas de Inteligência Artificial treinados com volumes massivos de dados e técnicas de “aprendizagem de máquina” (machine learning) para entender e gerar linguagem humana - e em relação ao controlo da infraestrutura de IA.Curiosamente, quer na apropriação de dados e metadados europeus, quer no controlo por entidades estrangeiras da infraestrutura de IA - ambos domínios essenciais para preservar soberania ou autonomia tecnológica - os zelotas dos partidos de extrema direita anti-imigração adotam um espesso silêncio. Será que não se apercebem de que o número de agentes IA operando na Europa poderá, em breve, ser de milhões?O tema da IA é objeto de análise e debate quotidiano em todas as plataformas de comunicação. Por que razão a entrada de enormes quantidades de agentes IA criados extra-fronteiras, com lealdades dúbias e capazes de promover profundas reformas no tecido social, não merecem qualquer crítica aos pirómanos anti-imigração? A resposta provavelmente radica na pegada do dinheiro. Quem beneficia com a apropriação de dados e metadados europeus e com a penetração de agentes IA no mercado europeu? As empresas e os oligarcas tecnológicos americanos, sócios e financiadores de Trump e do seu komintern fascista para a Europa. www.linkedin.com/in/jorgecostaoliveira