O debate sobre as comunidades estrangeiras em Portugal exige menos viés ideológico e mais pragmatismo. A urgência deste tema não reside apenas na regulação de quem chega, mas sobretudo na forma como integramos quem decide fazer do nosso país o seu novo lar.Em Cascais, vivemos esta realidade numa escala que nos obriga a olhar para os factos. Somos um dos municípios mais cosmopolitas de Portugal, com cerca de 140 nacionalidades diferentes, com uma população estrangeira com um peso social e económico inegável e, por isso mesmo, vital. A nível nacional, o saldo positivo das contribuições estrangeiras para a Segurança Social é essencial para a sua sustentabilidade.O humanismo e acolhimento digno não são bandeiras ideológicas. Mesmo para quem não o queira admitir, são uma inevitabilidade matemática, ou senso comum económico.Não obstante, convém vincar que acolhimento digno não é sinónimo de integração. É precisamente aqui que o país, do Estado Central às autarquias, não pode falhar. Para fomentar a integração, tem de haver uma rejeição tácita do isolamento cultural, seja em condomínios de luxo ou em urbanizações periféricas. A nossa visão assenta num pressuposto essencial: a inclusão depende do usufruto de plenos direitos, mas exige, de igual modo, um rigoroso cumprimento dos deveres cívicos.Para cumprirmos este objetivo na plenitude, a principal ferramenta é o acesso à língua e cultura portuguesas. Naturalmente, não exigimos aos novos residentes que apaguem a sua identidade, mas promovemos o português como instrumento útil de aceitação mútua e participação ativa na vida cívica comunitária. Em Cascais, esta visão concretiza-se também através do programa Loqui, que em 2025-2026 promoveu a aprendizagem da língua portuguesa junto de pessoas de 22 nacionalidades, através de 326 aulas, num total de 525 horas de aprendizagem.Há que continuar a reforçar os programas locais de literacia para que a nossa língua não se transforme numa barreira invisível, mas sim numa ponte que liga as várias facetas da humanidade. Temos aprendido diariamente que a pressão demográfica sobre setores como, por exemplo, a habitação ou os serviços públicos, requer simultaneamente planeamento rigoroso e adaptação constante. Esta aprendizagem tem de ser partilhada com as restantes autarquias em Portugal, para que estas possam assumir a integração também como investimento estratégico, com mais-valias sociais e económicas, e não somente como um fardo administrativo.Porque Cascais é, e deve continuar a ser, um lugar para toda a vida, para quem aqui nasceu, para quem aqui vive e também para quem escolheu aqui construir o seu futuro.