Coimbra: qualidade de vida, competitividade e resiliência

Ana Abrunhosa

Presidente da Câmara Municipal de Coimbra

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Pensar o futuro de Coimbra exige-nos conciliar a urgência social do presente com a sustentabilidade a longo prazo. A densidade urbana é totalmente compatível com o ambiente se apostarmos numa cidade compacta. Rejeitamos a expansão desordenada; a nossa prioridade é regenerar a cidade que já temos, gerando qualidade de vida e competitividade sem comprometer a resiliência do território.

Como atrairemos mais famílias jovens?

Colocando a habitação no centro da nossa ação política, com a meta de disponibilizar mil fogos de habitação acessível até ao fim do mandato. O foco está na regeneração física e económica da Baixa e da Alta, transformando-as em bairros inclusivos e multifunções. Estamos a intervir diretamente: identificamos imóveis devolutos, notificamos proprietários e, se necessário, aplicaremos a venda forçada para colocar estes ativos no mercado. A Câmara Municipal de Coimbra detém um fundo imobiliário, o Coimbra Viva, onde os proprietários podem integrar os seus imóveis para reabilitação.

Além disso, suspendemos parcialmente o PDM para acelerar projetos urgentes e permitir um acréscimo de 30% nos índices de construção, desde que essa percentagem seja para habitação a custos acessíveis.

Esta estratégia habitacional será também potenciada pela chegada da Alta Velocidade, que colocará Coimbra à distância de 60 minutos do aeroporto de Lisboa e a 45 do aeroporto do Porto, atraindo novos talentos e investimento.

Como retiraremos carros da cidade?

Através de um modelo de proximidade assente na mobilidade suave. Estamos a concentrar o crescimento habitacional e de serviços ao longo dos principais corredores de transporte público de alta eficiência, com destaque para o Metrobus. Ao aproximarmos as casas dos locais de trabalho e das escolas, reduzimos as necessidades de deslocação diária. O objetivo é que caminhar e pedalar sejam escolhas naturais, libertando o centro urbano da dependência do automóvel privado. Ao contrário de outras capitais, não necessitamos de converter escritórios em habitação; Coimbra é um polo de inovação, saúde e tecnologia, pelo que manteremos um equilíbrio saudável entre emprego e residência nos bairros.

Como seremos uma cidade mais ecológica, valorizando o Mondego e a biodiversidade?

Tratando os espaços verdes não como adorno, mas como infraestrutura urbana vital. Estamos a expandir parques, a criar florestas urbanas e a reabilitar linhas de água no coração da cidade. Mas a ecologia em Coimbra é indissociável da segurança.

O Mondego é a nossa identidade, mas exige uma firme gestão de riscos face a cheias e alterações climáticas. Estamos a avançar com o desassoreamento do rio, a renaturalização das margens e a criação de bacias de retenção, planeando inclusive a reinstalação de habitações em zonas críticas. Respondemos à crise sistemicamente: planeamento preventivo e coordenação com a proteção civil para blindar a cidade contra cheias, incêndios ou ondas de calor.

Daqui a quatro anos, quero que sejamos julgados por ter devolvido o centro histórico às famílias jovens e à classe média. Entregaremos uma Coimbra viva, com menos carros, transportes de excelência e espaços verdes abundantes para todas as gerações.

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