A Constituição continua sequestrada por quem a diz defender. Cinquenta anos depois, ainda não é de todos os portugueses.A extrema-esquerda trata-a como relíquia intocável. Não a quer rever, usa-a como trincheira ideológica contra uma democracia liberal de mercado, em defesa de um modelo estatista que o país já rejeitou nas urnas, mas que persiste no texto constitucional. Defendem a Constituição não por amor à democracia, mas porque ainda carrega um espírito revolucionário que mais nenhuma democracia europeia mantém. Paulo Raimundo dispensou qualquer subtileza quando classificou as sete revisões constitucionais como “golpes”. É uma posição antidemocrática gravíssima, que mostra a natureza do PCP.O PS fecha o ciclo com a hipocrisia que só décadas de poder ensinam. Foi protagonista em várias revisões. Hoje, sem ser decisivo para a maioria necessária, descobriu que a Constituição é intocável. O mundo evolui, fica mais moderno, exigente e sofisticado, o PS não.Se a esquerda quer a Constituição parada no tempo, o Chega representa um risco diferente. Invoca-a para a esvaziar por dentro, misturando uma necessidade de evolução legítima com medidas incompatíveis com o Estado de Direito, como tática para forçar uma polarização permanente e nada conseguir mudar ou resolver.O PSD prefere adiar. Não porque a revisão seja errada, mas porque lhe é mais confortável. E, no entanto, um processo de revisão exporia cada partido ao escrutínio: o Chega sem propostas consistentes, a esquerda presa ao preconceito ideológico e quaisquer propostas radicais a cair à nascença. O debate que o PSD evita é, paradoxalmente, o que mais lhe convinha, mas que obrigaria o partido a definir-se sem ambiguidade e a ter, por uma vez, alguma coragem.A Constituição continua marcada por uma desconfiança estrutural em relação à iniciativa privada. O resultado é um Estado pesado, uma cultura regulatória que afasta investimento e uma lei fundamental que toma partido pelo Estado contra a liberdade individual.A IL tem propostas concretas: reforçar a propriedade privada como direito fundamental, eliminar os preconceitos ideológicos económicos, introduzir solidariedade intergeracional e defender os direitos, liberdades e garantias (privacidade, imagem,...) face às tecnologias emergentes como a Inteligência Artificial. A IL tem uma linha vermelha inamovível: nenhuma proposta que atente contra direitos fundamentais será aceitável e não há nenhuma proposta que possa passar sem a IL concordar (cada proposta precisa de dois terços dos votos).A esquerda quer uma Constituição que coloca o Estado acima dos cidadãos. O Chega quer uma Constituição que coloca segurança à frente de Liberdade, destruindo ambas. A IL quer uma Constituição que defende cada cidadão de qualquer poder arbitrário e autoritário, venha ele de onde vier.