'Campus Tejo': uma ambição internacional ao serviço de Portugal

João Teixeira Leite

Presidente da Câmara Municipal de Santarém

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A água é o recurso que está na origem da vida. É um elemento essencial para a sobrevivência do planeta, para a produção de alimentos, para a saúde e para o desenvolvimento das sociedades. Num mundo marcado pelas alterações climáticas, pelo crescimento populacional e pela crescente pressão sobre os recursos naturais, a forma como utilizamos, gerimos e valorizamos a água será um dos maiores desafios das próximas décadas.

Urge, por isso, inovar na utilização deste recurso que nos dá vida. Precisamos de desenvolver novas tecnologias, novos modelos de produção e novas formas de conhecimento que permitam produzir alimentos de maior qualidade, com maior eficiência e sustentabilidade, contribuindo para uma vida com mais saúde, mais qualidade e maior longevidade.

É neste desafio global que nasce o Campus Tejo.

Um projeto com ambição internacional, que pretende afirmar Portugal como uma referência nas áreas da ciência, inovação e tecnologia aplicadas aos grandes desafios do futuro: água, agricultura, alimentação, saúde e ciências da vida.

O Campus Tejo é um Parque de Ciência e Tecnologia hiperespecializado no setor agroalimentar, organizado em torno de três eixos: Water, dedicado à gestão eficiente da água, à irrigação e à adaptação às alterações climáticas; Agrotech, centrado na inovação agrícola, na digitalização, na robótica e na agricultura de precisão; e Life Science, orientado para a alimentação, a nutrição, a saúde e a qualidade de vida.

A água será o vetor transversal desta estratégia e o principal motor científico para afirmar Santarém e a Lezíria do Tejo como território de experimentação, demonstração e transferência tecnológica. A água que alimenta a agricultura. A agricultura que garante alimentos. A alimentação que influencia a saúde e a longevidade. A tecnologia e a ciência que permitem encontrar soluções mais eficientes, sustentáveis e competitivas.

O objetivo é criar conhecimento e inovação capazes de responder aos grandes desafios do século XXI: produzir melhor, viver mais e viver melhor.

A produção alimentar é hoje uma questão estratégica para qualquer país. Reforçar a soberania alimentar significa aumentar a capacidade de Portugal produzir os alimentos de que necessita, reduzindo vulnerabilidades externas e fortalecendo a sua resiliência. Significa também criar uma agricultura mais competitiva, sustentável e preparada para o futuro.

É neste contexto que projetos como o Campus Tejo podem fazer a diferença: aproximando ciência, empresas, agricultores e instituições, transformando conhecimento em soluções concretas e colocando a inovação ao serviço das pessoas.

Esta ambição está também profundamente alinhada com a visão que o Governo tem vindo a afirmar para o futuro do país, bem como sabemos que o próximo quadro comunitário irá, estrategicamente, apontar recursos financeiros para a inovação e ciência. Ainda este fim de semana, no encerramento da Universidade de Verão do PSD, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, voltou a colocar a ciência, a inovação e o conhecimento no centro da estratégia de desenvolvimento nacional, anunciando a preparação de uma nova Lei da Ciência e Inovação e defendendo a criação de um novo ecossistema científico e tecnológico em Portugal.

Defendeu igualmente a necessidade de o país definir prioridades de investigação e inovação, concentrando conhecimento e recursos em áreas com capacidade para gerar competitividade, investimento e valor. Uma visão que aposta na aproximação entre universidades, centros de investigação, empresas e economia, dando também maior expressão ao empreendedorismo científico e à capacidade de transformar conhecimento em atividade económica.

É precisamente essa visão que queremos ajudar a concretizar no território com o Campus Tejo. Queremos aproximar universidades e instituições de Ensino Superior, centros de investigação, empresas, investidores e empreendedores, promovendo o empreendedorismo científico e criando condições para transformar conhecimento em novas soluções, novas empresas, investimento e emprego altamente qualificado.

E queremos fazê-lo em áreas nas quais o Ribatejo possui características e competências únicas: a água, a agricultura, a alimentação, a saúde, o bem-estar e a longevidade.

Porque a ciência não pode terminar no laboratório. Tem de chegar ao território, às empresas, aos agricultores, aos processos produtivos e, sobretudo, à vida das pessoas. É nessa capacidade de transformar conhecimento em impacto económico e social que reside uma das grandes ambições do Campus Tejo: criar um verdadeiro ecossistema onde investigação, inovação e iniciativa empresarial se cruzem para responder a alguns dos maiores desafios do nosso tempo.

Esta visão resulta de uma mobilização coletiva. A Câmara Municipal de Santarém, a Universidade Politécnica de Santarém, o ISLA Santarém Instituto Politécnico, o CNEMA, o INIAV e a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo estão unidos na construção deste projeto.

Os onze municípios da Lezíria do Tejo estão totalmente envolvidos, porque compreenderam que este não é um projeto apenas de Santarém, mas um projeto da região com capacidade para afirmar Portugal no contexto internacional.

A esta base institucional juntar-se-ão progressivamente outras entidades públicas e privadas, universidades, centros de investigação, empresas, investidores e parceiros nacionais e internacionais, contribuindo para construir um ecossistema aberto, colaborativo, competitivo e capaz de crescer no tempo.

O Campus Tejo irá desenvolver-se através de diferentes polos no território à semelhança do que acontece em alguns dos principais parques tecnológicos internacionais, como o Málaga TechPark.

Os polos iniciais e de referência serão o CNEMA, enquanto âncora para a instalação e atração de empresas e multinacionais, a Escola Superior Agrária e a Estação Zootécnica Nacional – Fonte Boa, enquanto polos de investigação, ciência e experimentação. Cada um destes locais terá um papel complementar na criação de uma rede de conhecimento, investigação e inovação capaz de aproximar academia, empresas e território.

Os primeiros passos já estão a ser dados. O AgroHub, financiado por fundos comunitários e desenvolvido pela Escola Superior Agrária da Universidade Politécnica de Santarém, será uma das primeiras grandes iniciativas deste ecossistema, promovendo investigação aplicada, experimentação, demonstração tecnológica e transferência de conhecimento para o setor agrícola e agroalimentar.

Em paralelo, a Câmara Municipal adquiriu um edifício no centro histórico de Santarém, que será requalificado para acolher a sede do Campus Tejo e a sua primeira incubadora de empresas.

A apresentação pública, com maior detalhe, do Campus Tejo terá lugar na próxima edição do Web Summit, em Lisboa. Será um momento simbólico para dar a conhecer ao mundo um projeto que nasce em Santarém e na Lezíria do Tejo, mas que é pensado desde o primeiro momento com uma ambição nacional e global.

As grandes transformações começam sempre com uma visão. Depois exigem cooperação, conhecimento e capacidade de concretização.

O Campus Tejo representa essa visão: um compromisso com a ciência, com a inovação e com um futuro mais sustentável.

Um projeto que nasce da água, da terra e do conhecimento para ajudar Portugal a responder aos desafios do mundo.

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