Breves notas da eleição presidencial

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Em negação

Luís Montenegro errou e perdeu. Errou ao escolher um candidato que não federava o seu campo político. Errou, depois, ao equivaler Seguro e Ventura como dois extremistas. E errou novamente ao considerar que “nada muda” com o resultado das eleições presidenciais, quando praticamente toda a gente intui que nada será como dantes. Montenegro e o PSD são os grandes derrotados das eleições presidenciais e o estado de negação em que mergulharam desde o passado dia 18 de janeiro é revelador de como rapidamente foram ultrapassados pelas circunstâncias. Perderam momentum e a iniciativa política. E vão pagar caro por isso. 

O erro da subestimação

Ventura é o político português mais intuitivo da sua geração. Fareja bem as oportunidades e beneficia, como ninguém, do facto de se estar a marimbar para os factos e para a realidade. Se a realidade não lhe convém, ele constrói uma nova, nem que, para tanto, tenha de fazer espargatas políticas de fazer corar de inveja uma contorcionista circense. Se houvesse uma Autoridade para a Concorrência para a política, Ventura já teria sido multado e suspenso por concorrência desleal. Mas, se olharmos para o fenómeno “Chega” como uma experiência socio-eleitoral, abstrairmos o elemento Ventura e apenas nos focarmos no resultado, há muito para aprender e dissecar sobre as causas e as razões para mais de 30% dos eleitores votarem num notório mentiroso compulsivo. É que, no meio de tanta deturpação e de tanta realidade alternativa, há quem encontre respostas, fundos de verdade e até fragmentos de identidade. E há até quem olhe para Ventura como uma espécie de Evita dos novos descamisados da política portuguesa. Seja como for, já ninguém pode cometer o erro de o subestimar. Ventura veio para ficar e é urgente que PS e PSD aprendam a lidar com ele. 

Entre o passado e o futuro

A vitória de António José Seguro é, sobretudo, do próprio e uma resposta muito concreta à ausência de verdadeiras referências políticas no atual espetro partidário. Claro que os socialistas têm razões para festejar. Mas têm-nas na direta proporção com as existentes para estarem preocupados. A erosão eleitoral do PS não se resolve(u) com a eleição de Seguro, nem tampouco com a estratégia de mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma. O PS precisa de se reconectar com a sua base eleitoral, de reconquistar a classe média e de ser a solução moderna para os jovens que desacreditam no futuro do País e na capacidade de o sistema político responder às suas inquietudes. Em suma, o PS precisa de ousar fazer diferente e de reformar discursos e protagonistas. Para isso, é certo que também precisa de tempo. O próximo Congresso Nacional esclarecerá se o líder consegue,, ou não fazer a síntese entre o passado e o futuro. 

Sabonetes televisivos

Parece que foi há uma eternidade que Emídio Rangel proclamou que “a televisão vende com igual eficácia um sabonete ou um Presidente da República”. Mas, depois de Marques Mendes, a SIC continua à procura do novo sabonete. “Visto assim”, há coisas que não mudam...

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