Ébola, potencial pandemia-pandemónio, pós-Mundial 2026!

Raúl M. Braga Pires

Politólogo arabista. Professor no Instituto Piaget de Almada

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"Diga Bom-dia com Mokambo”, surgiu-me agora mesmo, como memória longínqua, dos tempos do hino e da mira técnica! Porquê? Porque vamos morrer, porque tenho 55 e a Satrapi morreu há menos de 20 dias, com 56. Causa do óbito, amor, segundo palavras da própria, que queria ir ao encontro do marido, falecido em abril do ano passado, aos 53 anos. Estou consciente desta finitude, e também gostaria de desistir por amor, já que nada mais interessa, quando o puzzle se desfaz.

Começámos, precisamente no primeiro de junho, com Ébola: vírus ilegal não passa fronteiras. A crença! , um alerta, sobre quem anda a brincar com o fogo e se acha imune aos elementos, baseado na crença popular, no boato, que rapidamente ganha várias versões da mesma anedota, com “um inglês, um francês e o Bocage”! Cada lado da fronteira terá versão conveniente, enquanto o mal alastra.

Ponto de situação Ébola/África Austral

Mesmo não “querendo bater no ceguinho”, abordagem completa, obriga-nos a recuar ao “eficiente DOGE” de Trump/Musk, que cortaram a direito na ajuda internacional, e descobriram que Gaza também é uma província em Moçambique!

A USAid, essencial para a gestão-minuto, necessária para uma maioria, na franja-da-franja, em África, viu a fonte secar, para 90% dos seus projectos, por ordem presidencial. Os efeitos foram devastadores, desde esse primeiro de julho de 2025, já que em África trabalha-se a prevenção, todos os dias, com uma década de atraso! A vacina já deveria ter chegado, o dique já deveria ter sido reparado, e o armazém da farinha foi de novo assaltado!

Acrescentar os milhares de empregos, descartados com os cortes, colocando na ansiedade os melhor preparados, aqueles que estariam agora a acudir à crise e a mitigar as perdas.

Em junho de 2026, há mais de 70 médicos infectados, tendo já morrido outros 17, com Ébola. Na restante população, as autoridades congolesas registam 232 mortos e 896 infectados, em 31 “zonas demarcadas” no leste do país.

“Longe” de um pico epidémico, a União Africana tenta preencher o vazio americano, tendo canalizado mil milhões de dólares, para este crescendo. Outro lado desta escassez, verifica-se nos centros de acolhimento, onde uma higiene suína de sobrelotação, cria musgo numa atmosfera densa, que em maio descobriu 30 cadáveres, lá ao fundo, no Campo Kigonze, em Bunia.

E, neste cenário de gosma no chão e pus no ar, torna-se impossível determinar se os 30 morreram de Ébola ou asfixiados pelo esgoto, já que os familiares se recusam a fornecer amostras de sangue do caído!

O DOGE reclama ter poupado 24 mil milhões com a USaid. Para quê? Ajudaram os americanos?

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