A recente - e histórica - visita da Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, à Austrália marcou um momento decisivo no aprofundamento das relações entre a Austrália e a União Europeia. O anúncio conjunto com o Primeiro-Ministro australiano, Anthony Albanese, do Acordo de Comércio Livre, de uma Parceria em Segurança e Defesa, e do início das negociações para uma eventual associação da Austrália ao programa Horizon Europe confirmam a solidez da relação e a determinação comum em consolidar a cooperação.Num ambiente global em transformação e marcado por tensões geopolíticas, a confiança tornou-se central para a segurança económica, como referiu a Presidente Von der Leyen. As regras do comércio internacional, que durante décadas sustentaram crescimento e previsibilidade, enfrentam hoje uma pressão crescente. Para países de média dimensão, como a Austrália, a resposta não passa pelo isolacionismo ou pelo aumento de barreiras, mas por defender uma ordem internacional baseada em regras e aprofundar parcerias com economias afins. A Austrália tem estado solidária com a Europa em momentos difíceis, nomeadamente no apoio firme à Ucrânia face à agressão russa. Reconhecemos que a segurança europeia e a estabilidade do Indo-Pacífico estão hoje profundamente interligadas.Para a União Europeia, o acordo comercial representa um investimento estratégico de longo prazo. Quando plenamente em vigor, impulsionará o comércio bilateral, o crescimento económico e o emprego, reafirmando o compromisso com o comércio livre e justo. Para a Austrália, o acordo é fulcral para a sua estratégia de diversificação das relações comerciais, reforçando a resiliência económica num contexto mundial volátil. O acordo foi concebido com especial atenção às pequenas e médias empresas: reduz barreiras administrativas e facilita o acesso ao mercado australiano. Servirá também como plataforma para a região do Indo-Pacífico, com cerca de cinco mil milhões de consumidores.O acordo cria um quadro regulatório previsível e transparente, reforçando a atratividade da União Europeia como destino de investimento australiano, incluindo por parte de fundos institucionais de grande dimensão. O fluxo bidirecional de comércio e investimento apoia a inovação industrial e o emprego qualificado. Contribui para a contenção de custos de empresas e consumidores, traduzindo-se em benefícios diretos para as famílias e a competitividade da economia.A ligação da Europa a um fornecedor fiável de matérias-primas críticas assume particular relevância num momento de fragilidade das cadeias globais de abastecimento. A Austrália é líder mundial na produção de lítio e dispõe de vastos recursos minerais essenciais para as transições climática, digital e industrial, explorados segundo elevados padrões ambientais, laborais e de segurança.A prosperidade económica não pode ser dissociada da segurança. A nova Parceria em Segurança e Defesa permitirá aprofundar a colaboração em domínios como a indústria de Defesa, o ciberespaço, a segurança económica, o combate ao terrorismo e a ameaças híbridas.A inovação e a investigação constituem o terceiro pilar desta relação. O início das negociações para a associação da Austrália ao Horizon Europe abrirá novas oportunidades de colaboração científica e tecnológica, em áreas estratégicas como o clima, a saúde e as tecnologias críticas.A cooperação entre a Austrália e a Europa já é evidente nas ciências da vida e inovação. Na semana passada, a Austrália esteve fortemente representada na 20.ª edição da conferência BIO-Europe Spring 2026, que reuniu em Lisboa especialistas mundiais em investigação clínica e biotecnologia. Às margens da conferência, participei em encontros entre académicos e empresários australianos e portugueses, com vista à criação de sinergias e captação de investimento.Como afirmou o Primeiro-Ministro Albanese, prosperidade e resilência constroem-se fazendo-se mais em conjunto.O comércio, a segurança e a inovação formam hoje os alicerces de uma relação madura entre a Austrália e a União Europeia. Num mundo incerto, esta parceria assente em confiança mútua e responsabilidade partilhada é simultaneamente relevante e indispensável.