Se recuarmos no tempo, podemos lembrar a Teoria Crítica, de inspiração marxista, que surgiu a partir de 1920 e que, no essencial, resultou da produção teórica da Escola de Frankfurt, tendo tido como expoentes principais Charles Tilly e Michael Mann.Charles Tilly procurou explicar o movimento de tendencial convergência em direcção à forma de organização do Estado-Nação a partir da necessidade de incrementar a capacidade de “fazer a guerra” com base nessa nova realidade organizativa.Michael Mann optou por desenvolver um modelo explicativo das fontes de poder nas economias capitalistas, a saber, o modelo IEMP (relativo às quatro fontes de poder, a Ideológica, a Económica, a Militar e a Política).Contudo, nenhum dos autores conseguiu explicar as contradições da Escola Ortodoxa marxista, que teve como representante principal Charles Bethelheim, nem tão pouco da Escola da Monthly Review, associada à produção teórica de Paul Baran e de Paul Sweezy.Ambas procuraram explicar a sobrevivência do capitalismo a partir da análise conceptual do imperialismo.Para Charles Betlelheim, o capitalismo teria adiado a sua “morte” graças ao investimento directo das grandes multinacionais na periferia subdesenvolvida, obtendo taxas de lucro muito elevadas que atenuavam os efeitos da Lei da Baixa Tendencial da Taxa de Lucro no centro desenvolvido.Daí a necessidade de o capitalismo imperialista concentrar o investimento nos países subdesenvolvidos, os quais correspondiam, para Bethelheim, aos “países explorados”.Todavia, a maior parte do investimento directo no estrangeiro das grandes multinacionais é canalizada para os próprios países desenvolvidos. Se há 20 ou 30 anos correspondia a 80% do IDE total das multinacionais sediadas no centro desenvolvido, hoje em dia, graças não às economias subdesenvolvidas, mas, isso sim, aos Intermediate Countries (como a China, a Índia e o Brasil), quase 60% ainda continua a ser canalizado para o centro desenvolvido, sendo 40% canalizados para o Resto do Mundo.Para Baran e Sweezy , a emergência do imperialismo capitalista tinha permitido que as crises cíclicas fossem atenuadas pela exportação de excedentes de produção para as economias periféricas, para as “economias exploradas”.Daí que sempre que ocorresse uma recessão no centro capitalista, recessão essa geradora de crises de sobreprodução, tal levaria as economias do centro desenvolvido a canalizar prioritariamente as suas exportações para a periferia subdesenvolvida, i.e., para os “países periféricos”.Todavia, a maior parte das exportações das economias do centro desenvolvido são canalizadas para outras economias do próprio centro desenvolvido (e ainda para alguns Intermediate Countries), mesmo quando o sobredito mundo desenvolvido está confrontado com crises recessivas.Não foi, até ao presente, produzida uma explicação consistente para estas contradições.Como, aliás, jamais foi produzida uma construção teórica consistente e detalhada sobre como funcionaria um modelo assente numa economia de direcção-central no futuro e, ainda, como se aplicariam com coerência e eficácia políticas económicas, globais e sectoriais, num modelo radicalmente distinto do capitalista.O próprio Marx pouco ou nada disse de concreto sobre esta matéria.Pronunciando-se até à exaustão sobre as contradições do capitalismo, pouco ou nada disse como funcionaria, no futuro, uma sociedade colectivista.Nem mais, nem menos... Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico