Uma cidade onde as pessoas se cruzam é uma cidade onde as ideias se cruzam. E onde as ideias se cruzam, nascem projetos, nascem negócios, nasce cultura colaborativa. Os encontros não acontecem por acaso: dependem de um desenho urbano que junte as pessoas em vez de as afastar.Quem estuda a economia das cidades confirma que o que gera riqueza não é apenas o hardware, instituições fortes ou empresas ultracompetitivas. É, cada vez mais, a facilidade com que estas se relacionam e a normalidade com que as pessoas trocam conhecimento no contacto do dia a dia. Por isso, as cidades vivas, de ruas cheias e usos misturados, criam muito mais. Uma cidade que se despovoa ao fim da tarde não perde só vizinhos; perde as conversas de onde sai a próxima empresa.Foi com isto em mente que tomámos a decisão estratégica de suspender o Plano Diretor Municipal. Não para abrir a cidade ao betão ou deitar fora o planeamento, mas para corrigir regras que travavam aquilo de que Coimbra mais precisa: casas para quem aqui quer viver, edifícios devolvidos à vida e ruas onde se mistura morar, trabalhar e conviver.Temos, no coração da cidade, espaço a mais a dormir e gente a menos a viver. Cada andar habitado e cada loja que reabre é mais um pedaço de cidade onde a inovação pode acontecer. Esta é uma decisão de habitação e de economia ao mesmo tempo; quem volta a viver no centro está a dar vida ao lugar onde outros vão começar um negócio.Coimbra tem uma sorte que poucas cidades têm: uma das universidades mais antigas da Europa integrada no meio de nós, e não isolada num campus. Temos hospitais, investigação e empresas de referência mundial em Inteligência Artificial, farmacêutica, software e agroalimentar. A nossa aposta é clara: densificar a cidade onde todos estes setores se cruzam.Em poucas semanas daremos um passo marcante neste caminho de (re)fazer cidade, com a intervenção profunda na Rua da Sofia e a entrada em circulação do Metrobus na Avenida Sá da Bandeira e no canal central. Já no próximo dia 2 de junho, daremos outro passo significativo e prático com o arranque dos trabalhos preparatórios e a apresentação pública aos moradores, comerciantes (e a quem se quiser juntar), do plano de intervenção para esta artéria histórica. À partida, alterar a circulação e fechar a Rua da Sofia ao trânsito automóvel, mantendo apenas o trânsito ao transporte público num só sentido, já em 2026, pode parecer um transtorno logístico, mas o objetivo é o oposto: queremos devolver a rua às pessoas, alargar passeios, esplanadas e fazer mais conversas acontecer. Ao reduzirmos o trânsito de passagem e darmos prioridade às pessoas e aos transportes públicos, a Rua da Sofia deixa de ser um mero canal de escoamento de automóveis e passa a ser um espaço de permanência e convívio. Os novos passeios e a facilidade de transporte vão densificar o fluxo pedonal, beneficiando o comércio local e criando o cenário ideal para que um investigador e um empresário se sentem à mesma mesa sem terem combinado.Trazer habitação para o centro e melhorar a mobilidade são duas faces da mesma moeda. Os constrangimentos previstos vão exigir planeamento e adaptação por parte de todos, mas este é o passo indispensável para a Coimbra do futuro. Essa cidade que colabora não se constrói por decreto: constrói-se garantindo a proximidade. É por isso que, em Coimbra, planear a cidade e pensar a economia são a mesma tarefa. Ao transformarmos a Rua da Sofia, não estamos apenas a transformar em passeio uma via de transporte; estamos a desenhar o palco onde as pessoas se vão cruzar, colaborar e fazer nascer o amanhã. É essa Coimbra que estamos a construir.