Argélia-Mali, o regresso da raposa ao deserto!

Raúl M. Braga Pires

Politólogo arabista. Professor no Instituto Piaget de Almada

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Há precisamente uma semana, o primeiro-ministro maliano, Abdoulaye Maiga, foi recebido em Argel, pelo presidente Tebboune. Fui contactado pelo RFI-português, com algum sobressalto, para um esclarecimento sobre este inesperado reviralho, por parte da Junta Militar!

É simples, sosseguei a malta, ao sintetizar, com um, “está tudo a voltar ao normal e não o contrário”, penso eu de que!

Ou seja, o período de nojo pelo ex-PR Bouteflika, terminou no 24 de Agosto de 2026, o que também significa, virar a página, que, desde praticamente 2015, marcou uma Argélia enferma de capacidades e iniciativa. 11 anos levaram a fazer esta quadratura do círculo.

Ponto principal a reter deste reactar de relações Bamako-Argel, é o facto de se tornar mais pública, uma discussão que já decorre no pudor dos corredores da Academia Militar de Kati-Bamako, há mais de um ano. A inevitável retirada dos “mercenários” russos, com base no Mali!

Agregado a este ponto principal da retirada, vem o da substituição do contingente, já que o vazio dos grandes espaços é permanente. Foi, aliás, esse o falhanço de franceses e russos, não preencheram e só esvaziaram! Como? Alienando as populações, priorizando a caça ao terrorista, ao invés da conquista dos corações e mentes dos locais, de quem ali nasceu (ali mesmo), de quem dependia do mais forte. E desliguem o “complicómetro”, para conquistar populações a leste do mar, basta fazer o que os portugueses sempre fizeram, levar laranjas!

Essa, é uma dimensão, no âmbito da correcção de tiro, com outras consequências, que levantam outras prioridades. A prioridade já confirmada, até Agosto 2026, foi o restabelecer relações diplomáticas com o Níger, pois é por lá que vai passar o gasoduto com sentido Sul-Nigéria. Ou seja, a prioridade argelina é contribuir fortemente, para uma estabilização de toda a região, para as grandes ambições industriais e tecnológicas, ganharem forma e terem a capacidade de contribuir para um desenvolvimento, que vislumbrará mais caminhos.

E a França? Perguntou a RFI “portuguesa”!

A França estará radiante, que voltar tudo ao normal, será regressar pela porta grande à África Ocidental e ao Sael, mas também à actual Orano, antiga Areva, no Níger, origem tradicional de 80% do urânio utilizado no programa nuclear francês, e entretanto nacionalizada. Por outro lado, caso Osmane Sonko ganhe as presidenciais senegalesas de 2028, estarão lançados os dados, para um redesenhar da CEDEAO, de St. Louis a Lagos, a partir do Plateau de Dakar, com uma França quiçá socialiste, quiçá nationaliste!

Em conclusão, há um pós-Trump à vista, trabalhoso como o Exxon Valdez, mas promissor enquanto fim de ciclo.

Vamos todos/as ficar bem!.

Escreve de acordo com a antiga ortografia

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