Na campanha eleitoral de 2024, a AD anunciou, como uma das suas principais promessas, a apresentação nos primeiros dois meses de governo, de um plano de emergência para a saúde a executar até final de 2025. Citando o então candidato a primeiro-ministro, Luís Montenegro: “A saúde precisa de alterações estruturais que demoram mais tempo a implementar e a produzir efeitos, mas este plano de emergência tem uma meta: até final de 2025, acabar com listas de espera que excedem o tempo máximo garantido e dar uma resposta de medicina familiar a todos os utentes de Portugal”. Dois anos após a aprovação, em maio de 2024, do Plano de Emergência e Transformação da Saúde, todos os indicadores do Serviço Nacional de Saúde estão piores, tal como demonstra o recente relatório da Entidade Reguladora da Saúde (ERS). No fim de dezembro de 2025 havia mais de um milhão de utentes em espera para primeira consulta de especialidade nos hospitais públicos, um aumento de 17% em comparação com o mesmo período de 2024. E, destes, 43,7% já tinham ultrapassado o tempo máximo de resposta garantido (TMRG). Apesar da criação do programa OncoStop, apresentado como a grande aposta do Plano de Emergência do Governo, que visou mobilizar meios para reduzir as listas de espera de cirurgias oncológicas, a verdade é que os resultados são péssimos. No segundo semestre de 2025, o número de cirurgias realizadas diminuiu 3% e a lista de espera para cirurgia oncológica agravou-se 9% face a igual período de 2024. Dos 8.215 utentes em lista de espera, 21,2% já tinham ultrapassado o TMRG, um aumento de quatro pontos percentuais em relação a 2024. Por sua vez, o número de utentes sem médico de família voltou a aumentar no início de 2026, ultrapassando a barreira dos 1,6 milhões. A incompetência do Governo na área da saúde é tão grande que parece propositada. Na educação, depois de, em novembro de 2024, o Ministro da Educação ter reconhecido que divulgou dados errados quanto ao número de alunos sem professor a pelo menos uma disciplina, nunca mais apresentou novos números… o que sabemos é que há cerca de menos 10% de alunos a concluir o ensino secundário e a ingressar no ensino superior. Na habitação, o preço das casas em Portugal subiu quase 19% em 2025 (um aumento enorme por comparação com os 5,1% da média da zona euro ou os 5,5%, na média dos vinte e sete países da União Europeia), tendo atingido um novo máximo histórico em abril de 2026, com um valor de mais de 2.000 € o metro quadrado, que corresponde a uma subida de 16,5% face ao ano anterior. Em Lisboa este valor chega a atingir os 6.000 € por metro quadrado. Mas o número mais impressionante é mesmo o seguinte: em 2025, os habitantes de Lisboa gastavam, em média, 116% do seu salário para pagar a habitação, o que significa que são necessários cerca de 90 meses de salário médio para adquirir apenas 50 metros quadrados. Saúde, educação, habitação são setores essenciais para a garantia dos direitos dos cidadãos num Estado social… e correspondem a falhanços clamorosos do Governo. Os números não enganam. A vida das pessoas está pior.