Muitos têm sido os analistas que consideram inevitável o agravamento das desigualdades entre o Norte e o Sul, chegando a proclamar que o que é bom para o Norte é, necessariamente, negativo para o Sul e vice-versa.De nada serve referir estudos como os de Findlay, que permitem concluir que, em muitos casos – como, aliás, sucedeu aquando dos “choques petrolíferos“ da década de 70 do século passado –, o que se apresentou negativo para os países do “centro industrializado” e positivo para algumas economias periféricas, a curto prazo, se veio a mostrar muito mais prejudicial para a “periferia subdesenvolvida” não produtora de petróleo numa perspectiva de longo prazo.De qualquer forma, a análise das relações potenciais entre a UE e as economias dos países árabes tem mais a ver com a introdução do conceito de economias “semi-periféricas”.Em boa verdade – e conforme resulta de estudos levados a cabo por Paul Krugman –, as economias “semi-periféricas”, ao intensificarem o comércio de bens e serviços, bem como os movimentos de capitais com o “centro industrializado”, apresentam tendência para crescer a um ritmo superior ao das economias industrializadas e ao dos LDC’s (Less Developed Countries).Assim sendo, as economias “semi-periféricas”, desde que se abram ao exterior, apresentam tendência para se aproximarem (em termos de níveis de desenvolvimento) das economias industrializadas e para se afastarem das “economias periféricas”, propriamente ditas, i.e., dos ditos LDC’s.Tal significa que, se as economias do Norte de África e da Área do Golfo se abrirem mais ao comércio internacional e a uma cooperação com a economia europeia, o seu nível de desenvolvimento, a prazo de quinze anos, estará muito mais próximo do nível médio de desenvolvimento dos países da União Europeia do que está presentemente.Deste modo e numa primeira fase, os países da Liga Árabe que se manifestassem mais favoráveis a uma evolução gradual no sentido de se transformarem em economias de mercado progressivas, com a intensificação do comércio internacional, com a criação de incentivos ao investimento estrangeiro, com uma política cambial adequada (e ajustada a uma política monetária consistente), com a consolidação de “sistemas de participação abertos” e com a concomitante implementação de políticas de reforma social, deveriam negociar um Acordo de Associação com a União Europeia.Tal Acordo poderia abranger países como Marrocos, a Tunísia, o Egipto, a Jordânia, o Koweit e, até mesmo, a futura Palestina, designadamente nos seguintes domínios:- Liberalização gradual das trocas comerciais;- Intensificação dos mais diversos tipos de cooperação económica, tecnológica, científica e cultural;- Implementação de um Plano de Ajuda ao Desenvolvimento dos Países do Norte de África e do Golfo por parte da UE, compreendendo fundos estruturais destinados a infraestruturas ou a novos projectos tidos como prioritários;- Criação de Comissões Mistas encarregadas de fiscalizar a implementação do Acordo de Associação.A fase de transição prevista no Acordo de Associação deveria compreender um período de 15 a 20 anos, visando-se atingir uma Zona de Comércio Livre, uma União Aduaneira e, ainda, um embrião de um Mercado Comum alargado.No final desse período de transição, analisar-se-ia qual a melhor metodologia a adoptar para uma ulterior harmonização de políticas sectoriais e globais, com base nos estudos efectivados pelas sobreditas Comissões Mistas e nos resultados obtidos com os alargamentos que, entretanto, venham a ocorrer na União Europeia.Em todo o caso, será sempre uma evolução lenta, tanto mais que não se apresenta fácil conciliar o aprofundamento do processo integracionista europeu com sucessivos alargamentos da área de integração.Nem mais, nem menos…