A política do Governo chumba nos exames

João Oliveira

Eurodeputado pelo PCP

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Os problemas com os exames são uma demonstração flagrante da falência da política de emagrecimento do Estado e das teorias da meritocracia que desvalorizam a perversidade de nivelar toda a gente sem querer saber da origem, do contexto e das circunstâncias de cada um. E são também a demonstração do erro de elogiar a escolha de um ministro, desvalorizando a falta de compromisso político com a área que vai tutelar.

O ministro da Educação é hoje um dos exemplos mais evidentes da forma como este Governo e a maioria política que o suporta (des)consideram o povo e o país que governam.

A falta de compromisso político com a missão da escola pública é o ponto de partida deste ministro da educação, a que se acrescenta a circunstância de fazer da escola pública um laboratório de ensaio para as suas teorias.

Argumentando com a modernização tecnológica, o Governo montou um projecto-piloto, mas não quis saber da avaliação dessa experiência.

Acusando de força de bloqueio quem alertava para os prejuízos que podia criar o seu alargamento, o Governo impôs mesmo as mudanças nos exames. E fê-lo no contexto do emagrecimento do Estado de que tanto se orgulha.

Não tendo (ou não querendo aproveitar) as capacidades do Estado para desenvolver as soluções tecnológicas, o Ministério da Educação contratou empresas privadas para esse trabalho. Quando tudo começou a desmoronar-se, percebeu que estava refém e condicionado por essa opção de externalização.

E percebeu também o significado do emagrecimento imposto com a extinção das estruturas regionais do Ministério da Educação, a dispensa de milhares dos seus funcionários e a centralização de competências na Agência para a Gestão do Sistema Educativo. Quando era preciso alguém próximo das escolas a quem estas pudessem recorrer para resolver os problemas, não havia ninguém, porque o Estado tinha sido emagrecido.

O Governo criou um problema gigantesco a centenas de milhares de alunos e famílias, professores e técnicos das escolas e fez o sistema educativo colapsar em várias dimensões. E o ministro da Educação teve a atitude de cobardia e sobranceria política já habitual no Governo. Negou os problemas, recusou as suas responsabilidades, culpou professores e escolas e, agora, faz de conta que tudo está bem e resolvido. Conhecendo as situações dantescas que existem, sabendo que há incompatibilidades entre diversos prazos e calendários, sabendo que poderá haver milhares de reclamações, o governo nem sequer admite eliminar a taxa de 25 euros que bloqueia o acesso ao recurso da correcção dos exames.

Entretanto há milhares de alunos sem saberem como gerir as diversas fases de exame e as candidaturas ao ensino superior e milhares de professores atolados na resolução dos problemas criados pelo governo e sem saberem como vão ainda preparar o início do próximo ano lectivo.

Os exames não deviam existir porque são uma guilhotina de injustiça no percurso dos estudantes que concluem o secundário e querem aceder ao ensino superior. E é insustentável que haja uma dupla injustiça provocada pela política do governo.

Escreve sem aplicação do Acordo Ortográfico

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