Os dados sobre a mobilidade jovem revelam um dos grandes desafios desta geração: apesar de uma clara consciência ambiental e do desejo de adotar comportamentos mais sustentáveis, muitos jovens não têm condições para o concretizar. A vontade de fazer escolhas sustentáveis é real, mas as condições práticas e financeiras para essa transição continuam longe de estar reunidas.A maioria dos jovens — oito em cada 10 — continua a valorizar o carro próprio e a vê-lo como símbolo de autonomia, segurança e liberdade. Ainda assim, o preço permanece como um dos maiores constrangimentos, e o orçamento limitado é um entrave direto à aquisição.Cerca de 59% dos jovens que têm carta de condução não possuem carro e apontam o custo como principal razão para não possuírem viatura. Entre os que conseguem ter automóvel em Portugal, 68% optam por automóveis usados — ainda maioritariamente de motor a combustão —, uma tendência alinhada com outros países europeus. Não se trata de preferência, mas de pragmatismo.Por isso, os automóveis novos permanecem fora do alcance de 68% dos jovens proprietários portugueses. Já os veículos elétricos, apesar de serem vistos como a mobilidade do futuro, continuam a representar um investimento difícil de suportar.Perante este cenário, impõe-se uma questão incontornável: como avançar para um futuro de mobilidade mais verde se as soluções sustentáveis continuam inacessíveis precisamente para quem mais poderia impulsionar essa mudança?Nos grandes centros urbanos, é verdade que 52% recorrem a transportes públicos e alguns a soluções de mobilidade suave, complementando muitas vezes vários meios de transporte. Esta flexibilidade revela uma abertura à mudança, mas a disponibilidade varia significativamente entre regiões. A diversidade de opções é muito mais presente nas áreas metropolitanas, contrastando com as zonas rurais ou pequenas localidades, onde o carro continua a ser visto como indispensável ao quotidiano.Esta distância entre intenção e ação traduz uma realidade que merece atenção. Os jovens reconhecem o impacto ambiental do parque automóvel atual: 44% consideram-no a principal causa do aquecimento global e 64% apontam-no como o maior responsável pela poluição nas cidades.Além disso, 84% acreditam que a inovação tecnológica no automóvel poderá reduzir esse impacto e seis em cada 10 confiam que o motor elétrico substituirá o de combustão. Mas a confiança na tecnologia, por si só, não basta para acelerar a mudança.A transformação da mobilidade jovem exige soluções mais eficazes e abrangentes. É necessário democratizar o acesso à inovação tecnológica, promover uma oferta de veículos sustentáveis a preços compatíveis com os rendimentos desta geração, reforçar políticas públicas e criar modelos de financiamento adaptados às suas realidades. Só assim a mobilidade sustentável deixará de ser um ideal distante para se tornar uma escolha real e não um privilégio de rendimento. *Artigo realizado tendo como base dados do Observador Cetelem Auto 2025