A geração de 2009-2018

Paulo Guinote

Professor do Ensino Básico

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Não sinto grande vontade de voltar ao tema dos resultados dos PISA 2025, em especial depois de ouvir e ler a ampliação de narrativas que distorcem ou truncam os factos e a sua cronologia. Observei, sem espanto, anteriores decisores políticos a alinhar numa reescrita da realidade, entre um mea culpa a soar a falso, seguido de contextualização destinada a referir que tudo foi um fenómeno “global”, e um despropositado auto-elogio acerca de bons resultados passados, como se o desempenho dos alunos resultasse apenas de alguns anos de escolaridade.

Usou-se muito o ano de 2015 como se fosse o ponto de chegada de um crescimento contínuo (o que não é verdade, pois 2012 revelou quebras nas Ciências e na Leitura e estabilização na Matemática), mas pouco se falou do que levou ao início dos maus resultados, pré-pandemia, nos testes de 2018, talvez porque isso seja incómodo para quase todos os actores político-mediáticos que surgiram como analistas desta matéria.

É muito importante que se perceba o trajecto escolar dos alunos que fazem um determinado teste, num dado momento. Os alunos de 15 anos que fizeram os PISA 2018 iniciaram a sua escolaridade em 2009. Conheço esse trajecto com bastante clareza, porque a minha filha, embora não fazendo os PISA, pertence a essa coorte de alunos a que quase tudo aconteceu durante o Ensino Básico e, mesmo depois, com a pandemia a atingi-los em pleno Secundário. Em especial como encarregado de educação, têm-me chocado as leituras e interpretações parcelares ou abusivas do que aconteceu.

Essa geração foi a primeira que apanhou em pleno com o conjunto de alterações legislativas do consulado de Maria de Lurdes Rodrigues, mas também foi aquela que em 2013 e 2015 fez as provas finais de 4.º e 6.º ano, criadas por Nuno Crato, e passou pelas medidas austeritárias do “mais com menos”. E, pouco depois, levou com as novas mudanças decorrentes da chegada ao poder do PS, com Tiago Brandão Rodrigues como rosto exposto de políticas que agora se percebe deverem-se a outros protagonistas. Caso contrário, após mais de 6 anos no cargo, deveria ter sido ele a vir assumir algumas responsabilidades.

Isto significa que os resultados de 2018 resultam do desempenho de alunos que experimentaram de tudo um pouco (acho que a minha petiza só não chegou a fazer aquele teste made in Cambridge), vivendo uma extrema instabilidade, incluindo nos programas de disciplinas nucleares como Português e Matemática.

Isto significa que esses alunos foram os infelizes contemplados com um conjunto de experiências que se percebe não terem dado bom resultado. Embora tenha apoiado a criação das referidas provas finais, as evidências mostram que a geração que as fez não melhorou os resultados anteriores, de quem fizera as tradicionais provas de aferição, sem peso na avaliação, mas com classificação quantitativa a chegar as escolas antes do final do ano lectivo. Afirmar o contrário é atropelar os factos.

A lição mais importante que se pode retirar do trajecto dos alunos da geração de 2009 que fizeram os PISA 2018 é que, quase tão mau quanto políticas erradas, é a sucessão de reformas erráticas, com fundamentos ideológicos e dependentes de ciclos eleitorais, sem qualquer avaliação independente.

Escreve sem aplicação do Acordo Ortográfico

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