Nos últimos dias somaram-se as notícias sobre a venda das ações de José António dos Santos, o maior acionista individual da SAD do Benfica, a um fundo americano. Comprou-as por 7 milhões e vendeu-as agora por seis vezes mais. Em todas as parangonas é tratado como o “Rei dos Frangos”.É interessante a tendência de menorizar os que vêm de baixo. Mesmo os que, tendo nascido pobres, se tornaram marcantes e inquestionáveis.José António construiu, com o seu irmão gémeo, António José, o maior grupo económico português agroalimentar – a Valouro controla todos os passos do negócio das aves e rações, mas soube diversificar e investiu na produção de energia, no turismo e nos seguros..São industriais, sujaram as mãos nas fábricas, cresceram sem especulação, endividamento e ruído. E ajudaram a mudar o paradigma dos hábitos alimentares do país.Quando o bacalhau deixou de poder ser o mais que tudo dos que pouco tinham, tiveram a visão de arriscar tudo na produção e comercialização das aves – sem eles, sem a sua incrível ousadia, nunca o frango assado se teria tornado popular à mesa de milionários, remediados, pobres e indigentes.."O homem – José António dos Santos – não é dono de uma churrasqueira do bairro, é (com o irmão e Rui Nabeiro) o que, tendo vindo de baixo, soube inventar um caminho antes sequer de ele existir.". Têm muitas centenas de empresas e mais de dois mil trabalhadores. Construíram lares e apoiaram creches nas terras do Oeste. São dois dos maiores empresários portugueses, com uma enorme capacidade e visão que, aliás, mais uma vez, José António provou neste negócio das ações.O homem não é dono de uma churrasqueira do bairro, é (com o irmão e Rui Nabeiro) o que, tendo vindo de baixo, soube inventar um caminho antes sequer de ele existir.