Por motivos profissionais vou todas as semanas a Torres Vedras e já parece um amor de infância: é como se conhecesse desde sempre as ruas da cidade, a identidade das freguesias, do Maxial a A-dos-Cunhados, do Ramalhal à Ventosa, de Ponte do Rol ao Turcifal. Conheço velhos e novos, da Escola Henriques Nogueira à ESCO, dos lares às grandes e pequenas empresas.."Por tudo isto, a vitória do Torreense no Jamor corporiza o que não é negociável ou se explica: há lugares mais especiais do que outros, sítios onde o peso da História garante uma força para lá do que se imagina.". Torres Vedras talvez seja a cidade em que desejo envelhecer. Está longe e perto de Lisboa, tem praia e campo, gente corajosa e com memória, acolhe quem vai por bem, conhece os humores do vento, sabe fazer negócios sem perder a generosidade e tem gente que marca a nossa vida económica, os gémeos da Valouro, mas também o bacalhau do Constantinos e da Riberalves ou as estufas de Patrícia Pilar.É um concelho de gente livre que, nas últimas eleições autárquicas, contra todas as expetativas e sondagens, deu a confiança a um novo Executivo liderado por Sérgio Galvão. E é um lugar que fez da sua Caixa Agrícola a maior do país a operar num único concelho, já agora a instituição cooperativa mais dinâmica em Portugal..Por tudo isto, a vitória do Torreense no Jamor corporiza o que não é negociável ou se explica: há lugares mais especiais do que outros, sítios onde o peso da História garante uma força para lá do que se imagina.As Linhas de Torres garantiram a Portugal a independência face à gulodice expansionista de Napoleão, o povo torriense sacrificou-se e, como sempre, sem um queixume ou um arrufo de soberba. O Sporting deveria ter sido avisado.