Rui Rocha é um politico curioso. Quando foi líder da Iniciativa Liberal parecia preso à circunstância difícil de suceder a Cotrim de Figueiredo. Não deve ser fácil, admito. O homem não sabia onde pôr as mãos e até mudou de óculos, de olhar, de cabelos e de roupa para parecer moderno, mas nunca lhe foi fácil sentar-se à mesa dos patés mais distintos e dos melhores vinhos. Falava para os ricos que desejavam ser mais ricos, mas parecia acanhado como os pobres que têm vergonha de o ser. Falava para os jovens ambiciosos e que se babam a ver O Lobo de Wall Street, mas depois parecia sempre o assessor que aparece para nos oferecer um copo com água e nos indicar o lugar onde nos sentamos antes do chefe chegar.
Deixou de ser líder e libertou-se de amarras para nos dizer ao que vai. Enquanto líder foi acusado por vários militantes de centralizar o poder e de silenciar a oposição interna, mas agora, livre como um pombo, tornou-se o verdadeiro Inquisidor-Mor do Reino. Fala dos imigrantes e da imigração como se fosse o número dois de André Ventura, ataca o caráter dos adversários e faz vídeos com bonequinhos e cenouras para captar as atenções do povo e provar aos jovens o quanto é fixe ser-se assim, um grande maluco. E que, além do mais, sabe bem o peso das prioridades. Só assim se explica que, no dia em que os deputados votavam uma moção de censura ao governo, o Dr. Rui Rocha tenha preferido estar na CNN a perorar sobre a República. Tenho pena pela IL, um partido que parece ter morrido antes de atingir a maioridade. Não tinha de ser assim.