Salman Rushdie pediu um autógrafo a Margaret Atwood que pediu um autógrafo a Lazlo Krasznahorkai que pediu um autógrafo a Olga Tokarczuk que pediu um autógrafo a Javier Cercas que pediu um autógrafo a Lídia Jorge que pediu um autógrafo a Conceição Evaristo que pediu um autógrafo a Valter Hugo Mãe que pediu um autógrafo a Julian Barnes que pediu um autógrafo a Byung-Chul Han que pediu um autógrafo a Gonçalo M. Tavares.A lengalenga parece irreal, mas não o é. O Porto esteve no centro da literatura mundial graças ao Babell, festival organizado pela Fundação Lello com o apoio da câmara municipal. Há mil imagens que dificilmente me abandonarão e uma delas, confesso, é o pasmo de ver nobéis a pedir a assinatura a gente que admiram – a ideia bonita de que um escritor, por extraordinário que seja, é em primeiro lugar um leitor. Bem, e uma segunda ideia, a de que mais do que alguns escritores menores, que parecem grávidos de si próprios, os que verdadeiramente tocaram o Olimpo são os mais humildes, os mais simples, os que melhor tratam quem os trata.. Um livro tem sempre dois autores: o que escreve e o que lê. Sem isso não existe literatura. Ou qualquer forma de arte. Os escritores que não compreendem ou respeitam esta premissa não merecem ser lidos. Se disso estava convencido antes, mais estou agora. Não há escritores sem leitores que se atrevam a lê-los, uns não existem sem os outros. E há grandes leitores que mereciam poder ganhar o Nobel – gente que faz de um bom livro uma viagem, um pressentimento ou até uma revolução.