A polémica entre professores catedráticos não vende tanto como uma cabeçada numa tasca no Cerco ou um aperto na Musgueira após um Porto-Benfica. Não é politicamente correto escrevê-lo desta forma, mas observar intelectuais a espernear é quase tão deprimente como ver alguém sem coragem dar um grito para mostrar que a tem – soa sempre a falso, a voz sai-lhe tresloucada, é pior a emenda do que o soneto.
Há meses que nos cruzamos com notícias sobre a eleição para reitor da Universidade Nova. O que foi eleito pelo Conselho Geral é odiado por outros professores, dois deles também candidatos, apoiados pelos doutorados e catedráticos dos polos de Economia e Gestão de Carcavelos. Uns acusam-se de provincianismo e os outros respondem que quem diz é quem é. Eleições foram impugnadas, a polícia foi chamada e acumulam-se processos no Tribunal Administrativo. Não é bonito.
As pulhices entre professores universitários são património nacional – quantos professores não puderam ascender na carreira por não fazerem o jogo dos que tinham a faca e o queijo na mão nos processos de escolha para os concursos de doutoramento, agregação ou lugares de catedráticos? O conflito na Universidade Nova tem uma admirável vantagem: os protagonistas assumiram-se e gritaram de porta aberta e à vista do país. Ainda assim, é desesperante ver pessoas que deviam estar acima do rebentamento das ondas serem, afinal, um símbolo de um tempo de esfomeados de um infantil desejo de atenção.