Para os ucranianos é essencial matar 50 mil russos todos os meses, mais 42% do que as baixas atuais. O ministro da Defesa confirmou que essa é a única possibilidade de manter a pressão sobre Putin, obrigá-lo a negociar pressionado pela morte de mais soldados do que a capacidade que tem de os mobilizar.Sabemos que do lado da Ucrânia existem menos baixas, talvez metade, talvez um pouco mais. De uma maneira ou de outra, milhares e milhares e milhares de homens deixaram de o ser, sem contar com as vítimas civis, mulheres, crianças, velhos. Deixámos de ver a morte, o que é um paradoxo. A sociedade tornou-se mais amoral do que nunca, mas a morte real deixou de ser vista nas televisões. Quando sintonizamos os telejornais e nos avisam que as imagens nos poderão chocar, nunca é a morte que vemos… são corpos embrulhados em lençóis, gritos de perda, lágrimas de crianças, olhares ausentes, feridas por cicatrizar, mas não a morte.. Somos protegidos e infantilizados. O nosso jantar não é interrompido com imagens que nos possam matar por dentro, que nos agoniem a digestão.Talvez por isso me tenha feito impressão os números: 50 mil todos os meses como objetivo. Um estádio grande de gente morta a cada 30 dias.Se o mundo visse o resultado real da mortandade, se os nossos olhos passassem por intestinos fora do corpo e membros decepados, será que a guerra teria condições para continuar?Se não tivéssemos visto a morte nos campos de concentração nazis teríamos sabido o que precisávamos de saber?