A Figura do Dia. Passos Coelho faz lembrar Salazar

Luís Osório

Escritor, jornalista e cronista

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Não duvido de que Passos seja um democrata ou defendo que se sinta atraído pelo homem que viu passar Gomes da Costa montado num cavalo e a caminho de Lisboa. Nesse dia, há 100 anos, morreu a I República e Salazar não demoraria muito tempo a tomar as rédeas. São pessoas diferentes. Pelo seu percurso político, académico e social, poderiam até ser opostos. No entanto, há qualquer coisa estranha no ar. Um ambiente de fim de ciclo, um rufar de tambores que proclama promessas ou ameaças de mudança.

"Passos Coelho é fortemente idealista e acredita, como todos os providencialistas, que o país saberá onde o encontrar quando precisar de alguém que não seja como os outros. Como Salazar, quando esperou em Coimbra que o fossem buscar."
"Passos Coelho é fortemente idealista e acredita, como todos os providencialistas, que o país saberá onde o encontrar quando precisar de alguém que não seja como os outros. Como Salazar, quando esperou em Coimbra que o fossem buscar." FOTO: Manuel de Almeida / Lusa

Passos Coelho escolheu a Faculdade de Direito, e a apresentação de um livro sobre a Constituição, para atacar a classe política com uma inaudita violência. “Os políticos que tentam agradar a toda a gente são postiços, verdadeiros prostitutos no caráter” – afirmou-o com André Ventura na primeira fila e deixou, não inocentemente, que o líder do Chega lhe prestasse vassalagem numa conversa de circunstância que valeu por vários discursos.

A guerra já está em curso e é aí que aproximo Passos de Salazar. O ex-primeiro-ministro está disponível para ocupar o poder, mas deseja mais do que ganhar eleições e sentar-se nos estofos de São Bento, infinitamente mais: ambiciona ser o protagonista de uma nova República. Pretende matar a velha ordem e criar um país novo com políticos que saibam dar o exemplo, gente autêntica e corajosa.

"A guerra já está em curso e é aí que aproximo Passos de Salazar. O ex-primeiro-ministro está disponível para ocupar o poder, mas deseja mais do que ganhar eleições e sentar-se nos estofos de São Bento, infinitamente mais: ambiciona ser o protagonista de uma nova República."

Passos Coelho é fortemente idealista e acredita, como todos os providencialistas, que o país saberá onde o encontrar quando precisar de alguém que não seja como os outros. Como Salazar, quando esperou em Coimbra que o fossem buscar.

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