As crianças: não há como elas. São o melhor do mundo, o que é verdade. Como verdade é o tão repetido: “No nosso tempo é que era.” Claro que sim. Éramos jovens, enfrentávamos o frio de manga curta e julgávamo-nos eternos.As crianças… escrevia antes de me interromper… amam-nos tanto. Não nos questionam. Para elas somos heróis, mesmo que não passemos da cepa torta, corajosos mesmo que cobardes, bonitos mesmo que feios, credíveis mesmo que mentirosos..Nós, pais e família, achamos que será assim para sempre. E rezamos para que cresçam “lindos meninos”, para que cresçam sem nos questionar, para que cresçam não crescendo.Mas quando tudo corre bem crescem e põe-nos em causa. Deixamos de ser considerados como antes, o que eram qualidades são agora defeitos. Sofremos tanto que achamos ser para sempre, outra vez para sempre.."Hoje é Dia das Crianças. O dia em que celebramos o futuro, mas também o que em nós ainda o é. Em crianças seríamos capazes de empenhar os brinquedos para sermos adultos. Mas quando chegamos a adultos faríamos quase tudo para regressar à infância.".Mas se tudo tornar a correr bem, também não será para sempre. Um dia eles fazem as pazes com o passado e dão-nos um abraço como os antigos. Um abraço em que nos envolvem como se nós fossemos crianças e eles os nossos pais. E a volta fica completa.Hoje é Dia das Crianças. O dia em que celebramos o futuro, mas também o que em nós ainda o é. Em crianças seríamos capazes de empenhar os brinquedos para sermos adultos. Mas quando chegamos a adultos faríamos quase tudo para regressar à infância.Como não é possível talvez não fosse menos inteligente proclamarmos o direito a ser crianças envelhecidas, como os vinhos, que têm a força do tempo sem perderem a frescura da juventude. Por mim, aceitaria já um acordo.