Francis Ford Coppola faz hoje 87 anos e eu tenho uma história para lhe oferecer. Imagino que não precise — no seu caderno secreto devem estar argumentos que o alimentariam nas próximas cinco vidas —, mas arrisco contar-lhe acerca do mais sedutor dos homens portugueses, António Sotto-Mayor.Nasceu podre de rico, viveu intensamente e estoirou todo o dinheiro que tinha — parece um insuportável cliché, um pastiche de milhões de filmes iguais, só que não..António nasceu em 1812, rodeado de criadas e palacetes. Em criança já era visconde e entretinha as senhoras da corte de D. Maria II. Jogava às cartas, sabia falar de vestidos e decotes, um menino prodígio.A família pressionou-o a estudar e ele foi para Coimbra onde, viciado na noite, não chegou a terminar Direito. Fazia amigos, falava línguas, criava pontes. Foi deputado e poderia ter sido tudo na política, mas desaparecia de cena quando se apaixonava ou resolvia viajar.."Francis Ford Coppola faz hoje 87 anos e eu tenho uma história para lhe oferecer. Imagino que não precise (...), mas arrisco contar-lhe acerca do mais sedutor dos homens portugueses, António Sotto-Mayor.".Um ministro mandou-o jovem para ser diplomata na Suécia, terra de vikings, gelo e vida dura. António rapidamente tomou conta da situação. Sentava-se ao lado de reis e princesas, a sua casa era a mais bonita de Estocolmo, as suecas desejavam-no.Não repetia um fato e os nórdicos batizaram um nó de gravata, uma marca de charutos e um prato típico de arenque com o seu nome — ainda hoje se pode comer a iguaria em restaurantes escandinavos.Quando lhe morreu o dinheiro, tornou a Lisboa, onde se deixou ir numa cama para pobres. Tinha 56 anos e foi chorado em toda a Europa.