A falta não justificada de quatro deputados socialistas à votação que deveria ter eleito Luísa Neto como Provedora da Justiça, é um escândalo. Um outro deputado do PS também não esteve presente, mas aparentemente com o conhecimento do líder da bancada e por motivos de força maior. A candidata não ganhou por sete votos, o que inviabilizaria a eleição mesmo que estes cinco tivessem estado no hemiciclo e não em parte incerta.. O problema é a imagem que fica. As perguntas que ficam por responder, as dúvidas, o bafo a fragilidade. Se o PS não consegue mobilizar a totalidade do seu grupo parlamentar para estar presente numa das poucas eleições em que o nome é proposto por si, então como é possível que o país acredite que a liderança de José Luís Carneiro é firme o suficiente para um dia ser primeiro-ministro? E como convencer Luísa Neto a ir a uma segunda votação se nem a própria bancada que a propôs achou relevante esforçar-se para fazer o mínimo? .Não gostariam os portugueses, a começar pelos que votaram no PS, de saber quem traiu a sua confiança? Desta forma, o ónus de responsabilidade é de toda a bancada e de uma liderança incapaz de dar um murro na mesa. Perante a enormidade como reagiu a direção do PS? Num curto comunicado proclamou que tal falha não se pode repetir, mas em nome do sigilo partidário decidiu não tornar público o nome dos faltosos. Ora, preferir respeitar o sigilo a honrar a relação que um partido precisa de ter com os eleitores, foi uma segunda barbaridade. Não gostariam os portugueses, a começar pelos que votaram no PS, de saber quem traiu a sua confiança? Desta forma, o ónus de responsabilidade é de toda a bancada e de uma liderança incapaz de dar um murro na mesa que se oiça nos lugares do povo.