O amor não tem a ver com o tempo que dura. Não se mede com cruzinhas no calendário, como na adolescência, em que a primeira semana ou o segundo mês são festejados como se fossem bodas de ouro.Quando fizermos o balanço (tu e eu), concluiremos que um amor pode ter-nos feito maiores durando uma semana ou ter-nos feito gastar a única vida que tínhamos. Não há regras, nem relógios..Podemos encontrar quem nos preencha por um dia como mais ninguém preencheu. E podemos partilhar toda a vida com quem nos obrigou a ser piores do que merecíamos. É por isso que devemos festejar o amor, não o tempo que dura.O problema, neste ofício de viver, é que as oportunidades não nos surgem como os autocarros e os comboios – se tal fosse possível perderíamos um e apanhávamos o outro, fracassávamos num amor perfeito e surgia-nos outro na carruagem imediatamente a seguir, caíamos num emprego e outro nos agradaria se esperássemos cinco minutos.."Quando fizermos o balanço (tu e eu), concluiremos que um amor pode ter-nos feito maiores durando uma semana ou ter-nos feito gastar a única vida que tínhamos. Não há regras, nem relógios.".Mas nesta estação as oportunidades chegam quando o condutor decide que nesse dia trabalhará no nosso carril: pode demorar anos a decidir-se ou breves segundos. Que fácil seria e que enfadonho se tornaria. Uma vida de amores-perfeitos que deixariam de ser perfeitos se a um sucedesse outro. Não resultaria.Mas o condutor abusa no que nos faz esperar. É cruel e desumano. Mas tantas vezes somos nós que não estamos na estação quando ele se resolve a passar, somos nós que desistimos. E desistir da viagem é a única coisa a que não nos podemos dar ao luxo. Porque o resto quase não parece ser connosco.