O PS, depois do chumbo de Tiago Antunes, propôs o nome de Luísa Neto para o cargo de Provedora da Justiça. É provável que não a conheça, é também possível que muitos deputados, também socialistas, a desconheçam, o que é uma pena. Luísa é das melhores pessoas que me passaram pela vida, uma mulher um pouco fora de época por ser discreta num mundo indiscreto e profunda num tempo superficial. É académica, sendo próxima dos colegas e dos seus alunos. Também comunicativa e eloquente, mas pressentindo nós que o silêncio não a assusta..Que surpresa a possibilidade, que espero se confirme, de ser Provedora da Justiça. Conheci-a em casa de Miguel Romão, ex-Diretor Geral da Justiça e um dos meus melhores amigos. Foi há muitos anos, não consigo precisar. A partir de certa altura, os meses fogem-nos das contas, passaram quase duas décadas. Luísa nascera em Lisboa e vivia no Porto onde fez carreira e se tornou catedrática da Faculdade de Direito. Recordo-me de ter ido à apresentação de um livro que escreveu sobre Direitos Humanos e Ética, áreas de intervenção que nunca abandonou.Luísa Neto, e espero que me perdoe a inconfidência, tem o hábito de enviar mensagens de Natal aos amigos. Não teria qualquer importância se não fossem citações de livros de escritores portugueses, palavras que considera adequadas a cada um dos seus. Gosta de cinema, gosta de rir, gosta de teatro, gosta de Direito quando este ajuda as pessoas a serem mais livres e conhecedoras de direitos e deveres. Acredita na democracia, gosta de gostar, é tudo isto.