Na semana passada dei uma entrevista a Lígia Silveira, jornalista da agência Ecclesia, em que critiquei Leão XIV. Essencialmente por me parecer que as suas palavras eram curtas e vazias num tempo em que, depois de Francisco, o Vaticano tinha as condições para ser um farol moral.Em poucos dias, tudo mudou. O papa Leão assumiu uma posição inequívoca e fê-lo com enorme coragem e uma firmeza tranquila. Cumpriu o seu desígnio de luz num mundo hipnotizado pelas trevas.. Duas notas que considero importantes. Na primeira, uma constatação. A de que agora passou a ser compreensível ao mundo a consideração de Francisco por Robert Francis Prevost, seu protegido.Tendo personalidades diferentes e um modo de comunicar oposto, partilham o essencial no que interessa: uma Igreja Católica que não entre em contradição com a mensagem de Cristo, que seja “casa” dos pobres e excluídos, que combata as iniquidades e um mundo desalvorado, perverso e amoral.."Em poucos dias, tudo mudou. O papa Leão assumiu uma posição inequívoca e fê-lo com enorme coragem e uma firmeza tranquila. Cumpriu o seu desígnio de luz num mundo hipnotizado pelas trevas.".Na segunda, um alerta. Para mim, que tenho a responsabilidade de escrever todos os dias, mas também para um universo de comentadores, analistas e fazedores de opinião. Um alerta e um desafio à humildade e à ponderação.A rapidez com que puxamos o gatilho vai ao encontro do que criticamos nos outros, a urgência de dar opinião “obriga-nos” a ser superficiais e apressados no pensamento. É justo que se diga e se escreva. Também por nós terá de passar a credibilização do discurso. Não dizer o óbvio, procurar a profundidade, dar luta à superfície, ponderar, convocar a lentidão e o silêncio