José Luís Carneiro é um político ponderado e preparado. Foi um bom ministro da Administração Interna num Governo de Costa a cair aos bocados.É culto, boa pessoa e simpático, mas enquanto secretário-geral não tem tido a coragem que precisa para assumir uma verdadeira liderança.Manteve perto do seu círculo gente rebentada pelo poder ou leitores compulsivos de Maquiavel - escolher Santos Silva para coordenador estratégico ou dar palco a Carlos César é um indício de uma fragilidade que o condenará a prazo.Este fim de semana, em Viseu, anunciará no Congresso nomes de independentes para o ajudarem a pensar o programa. Os nomes já divulgados são uma desilusão. Várias figuras com percursos inatacáveis, mas a maioria delas desgastadas ou dependentes de lugares, honrarias e salamaleques.. Não há um tumulto, sangue fresco, pessoas com imaginação ou capazes de fazer acreditar o país numa ideia de futuro. Apostar em reitores, catedráticos, ex-administradores de empresas públicas ou políticos reformados, é de menos. Caro José António, há tanta gente a cochichar nos seus corredores, a fazer cálculos sobre o momento certo, a falar da sua fragilidade… calculo que o saiba. Não se preocupe com as nomeações do Tribunal Constitucional, preocupe-se antes em pensar um projeto novo. Diferenciado. Com ideias que não foram imaginadas antes. Chame outras pessoas, cientistas, inovadores, gente que comunique bem, jovens com menos de 40 anos que tenham a vida por conquistar. Com garra e livres. Sem isso, o deserto ser-lhe-á penoso.