No início de 2022, logo a seguir à pandemia, Jorge Moreira da Silva quis ser líder do PSD. Perdeu as eleições internas para Luís Montenegro sem conseguir chegar aos 30%. Saiu de cena sem estrondo, resignado com os ventos adversos, mas de consciência tranquila.A maioria dos militantes sociais-democratas acharam-no desadequado para o que o partido precisava ou demasiado “fofinho” para tempos agrestes. Na vida, muitas vezes, acontece que o comboio que não apanhamos nos permite ser passageiros de um outro caminho que não imaginávamos ser possível..Jorge é hoje, quatro anos depois, um protagonista no tabuleiro das relações internacionais. A sua experiência na OCDE permitiu-lhe ganhar um concurso aberto a candidatos de todo o mundo para liderar o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos. É hoje a pessoa que gere as crises humanitárias no terreno.."Jorge [Moreira da Silva] é hoje, quatro anos depois, um protagonista no tabuleiro das relações internacionais. (...) É ele também quem, no Estreito de Ormuz, tenta sensibilizar americanos e iranianos para a urgência de desbloquear a passagem de fertilizantes e matérias-primas (...).".Em Gaza ou Kiev é ele quem, em nome da ONU e de António Guterres, coordena a missão diplomática. É ele também quem, no Estreito de Ormuz, tenta sensibilizar americanos e iranianos para a urgência de desbloquear a passagem de fertilizantes e matérias-primas, única forma de evitar uma crise alimentar que condenará à agonia milhões de vidas. Irónico, não é?Nas cartas que nos cabem há sorte e azar, mas também naipes que nos parecem imbatíveis e nos conduzem à derrota e naipes fraquinhos que nos oferecem a oportunidade de marcarmos um tempo ou, se formos mais modestos, de limparmos a lotaria. Sabemos lá nós.