O coração rebentou-lhe no peito num dia abafado. A equipa do FC. Porto treinava quando se sentiu outra vez mal, como em 2022 quando um enfarte quase o levou.Jorge Costa deixou de fumar, começou a alimentar-se com regras e a ter truques para controlar o stress. Tinha sonhos por cumprir, desejava ver os filhos encaminhados e sentia que um dia regressaria ao seu clube..André Villas-Boas convidou-o para participar numa grande aventura. Jorge aceitou ir a jogo e durante vários meses manteve-se firme contra pressões e insultos dos que o acusaram de ser um vendido e de trair o homem a quem tudo devia, Pinto da Costa. Sofreu sem nunca vacilar e, para espanto de muitos, a maioria silenciosa dos sócios estava do lado da mudança e agradeceu-lhe quando a democracia voltou ao Dragão. Uma das últimas frases de Jorge foi dita ao presidente: “André, agora sim, temos uma equipa”.A 5 de agosto do ano passado, o coração rebentou-lhe no peito e toda a equipa, todo o clube, se uniu à volta da memória deste homem que, nos momentos difíceis da época, ajudou a que o FC Porto voltasse a ser campeão.."E ninguém me convence que [Jorge Costa] não ficou por aqui nesta temporada feliz. O trabalho precisava de ser feito até ao fim. Agora sim, já pode partir com os anjos.".Jorge Costa, mítico defesa-central, era um homem bom. Generoso, delicado e afetivo. Dentro de campo, um bicho. Fora de campo um amigo com gente que o adorava. Chamava irmão a Rui Costa, presidente do Benfica. Tinha lágrima fácil, comovia-se com filmes românticos e histórias de pessoas boas. E ninguém me convence que não ficou por aqui nesta temporada feliz. O trabalho precisava de ser feito até ao fim. Agora sim, já pode partir com os anjos.