Nos últimos anos, numa ingenuidade que me envergonha, pensei que mudaríamos de vida. O aquecimento global fora inquestionavelmente provado, o relógio do fim do mundo não dava espaço para dúvidas, somavam-se as conferências de líderes, os peritos das Nações Unidas falavam a uma só voz, as tempestades e cataclismos duplicaram na última década e assinaram-se protocolos em Quioto e Paris que nos tranquilizaram.O meu otimismo corporizou-se na minha vontade de ser pai. Tive quatro filhos por crer e querer o futuro e por saber que a esperança é sempre mais forte do que o medo. Não havia motivo para não acreditar: existindo um risco eminente de morrer a vida no planeta, de o ser humano poder extinguir-se, o nosso instinto de sobrevivência faria o resto.Só que lá está, a realidade é imaginosa. Sabendo de tudo isto, conhecendo os riscos, podendo antecipar a tragédia e oferecer um sinal de coragem e preservação da espécie, escolhemos ir em frente como se não houvesse amanhã.Talvez não haja mesmo amanhã. Já não falo das guerras, essas são inevitáveis por sermos quem somos. Falo do petróleo, dos combustíveis fósseis que rebentam o planeta.. Sabemos agora que todas as guerras não são feitas apenas por causa da ganância que nos é própria. São-no pela ganância do poder construída em cima do que nos matará a curto prazo.Afogados em crude no estreito do inferno. Asfixiados, mas felizes e cheios de massa que os magnatas e os “Musks” poderão usar como moeda de troca com o Diabo numa manhã de copos e enxofre. Boa-sorte nisso.