A figura do dia: As nove camisas de Roberto Martinez

Luís Osório

Escritor, jornalista e cronista

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O selecionador colou ontem os seus cromos e uma parte do país insultou-o por ser estúpido, básico ou limitado pois se fosse inteligente, líder e preparado, faria as mesmas escolhas que cada um de nós. Nunca me deixará de espantar a confiança com que tanta gente fala do que não sabe e a confusão entre liberdade de opinião e convicção de que todas as “postas de pescada”, por mais estúpidas e impreparadas que sejam, valem o mesmo que as decisões de quem estudou uma vida. A crise das elites passa também por este circo de opiniões onde já não se distingue o Manuel Germano e o Género Humano.

Gosto de Roberto Martinez. Um treinador que chegou a Portugal com uma vontade enorme de compreender a nossa identidade, de falar a língua, de ser um de nós. Mas fez mais, soube construir compromissos, fugir das polémicas, nunca responder a quem o tentou rebaixar ou menorizar. Conseguiu resultados, ganhou a Liga das Nações, foi o selecionador com melhor percentagem de vitórias, estabeleceu princípios ambiciosos, propôs aos jogadores variabilidade e compreensão do jogo, estabeleceu um pacto de confiança com a sua equipa.

JOSÉ SENA GOULÃO

Roberto é uma pessoa boa. Gosta de gostar. Preocupa-se com as pessoas, é gentil, não tem más palavras. Num tempo assim é uma honra tê-lo como selecionador português. Sei que levará nove camisas na bagagem, oito para cada um dos jogos até à final e a nona para a festa no regresso a Portugal. Sei também que teve uma última conversa com o pai antes da sua morte, que entre eles nada ficou por dizer. E que a mãe se chama Amor.

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