Faz hoje quatro anos. Na madrugada de 24 de fevereiro, de 2022, às 4h40, antes da primeira alvorada, o presidente da Rússia ordenou às suas tropas que invadissem a Ucrânia.Na sua expetativa o conflito nunca chegaria a ser uma guerra, os soldados alcançariam Kiev em poucas semanas e a “Mãe Rússia” poderia apaziguar-se pelo regresso de uma filha particularmente ingrata.O presidente americano Joe Biden, ofereceu um plano de fuga ao líder ucraniano, Volodymir Zelensky, um avião pronto a sair para o pôr a salvo, a ele e à família, onde se incluíam dois filhos menores..O resto é história. E resistência de um povo que, com sangue, suor e lágrimas, tem resistido às mais terríveis provações. E fê-lo em nome de uma convicção, de um desejo de liberdade e independência.As circunstâncias podem transformar pessoas comuns em heróis cantados para sempre pelo povo - quem poderia dizer, a começar por Putin, que o comediante que conquistara eleições apenas por ser popular, se tornaria o exemplo máximo de coragem, de sentido estratégico e de resistência?Não sabemos quantos litros de morte foram derramados na terra, quantos milhares de vidas se perderam de um lado e do outro, mas sabemos que há quatro anos, numa negra madrugada de fevereiro, ninguém apostava um cêntimo no homem que, surpreendentemente, à pergunta de Biden respondeu que “não precisava de boleia para fugir, mas de munições para ficar”.Faz hoje quatro anos e continuam a não existir palavras suficientes que definam a grandeza