Desde que o “ ditador assassino” e “ rufia puro” Putin, usando a terminologia de Biden, invadiu a Ucrânia, o mundo mudou e mudou para pior.A Europa é um dos continentes onde mais se reflecte a atitude imperialista, que é a invasão da Ucrânia, pelo ocupante do Kremlin e dos seus apaniguados.Após 80 anos de paz o Vellho Continente vê-se hoje forçado a adoptar uma economia de guerra que nos diferentes países da União Europeia assume direcções diversas. A Europa arma-se numa tentativa de dissuadir novos devaneios imperialistas de Putin.A França aumenta, assim, a sua capacidade militar fazendo-o numa lógica de alguma independência face à NATO, acentuando a sua vertente nuclear com novos submarinos com essa mesma capacidade. Actuando sobretudo em África e no Mediterrâneo, o orçamento francês para a Defesa, este ano, deverá atingir os 57 mil milhões de euros, cerca de 2,5% do PIB. Está ainda previsto o recrutamento de mais 40 mil novos elementos para os diferentes ramos das Forças Armadas francesas.Esta inevitabilidade de investimento em meios de Defesa é, naturalmente, extensiva a quase todos os países europeus.A Alemanha, numa lógica de interoperacionalidade com a NATO, prevê duplicar o seu orçamento de Defesa até 2035, atingindo os 5% do PIB. Hoje investe apenas 2,8% do PIB. O seu investimento será direccionado, sobretudo, para sistemas de defesa de drones, mais tanques Leopard, novos radares, artilharia de longo alcance (HIMARS), satélites de comunicações e vigilância. Estima-se que até 2035 a Alemanha possa vir a investir cerca de 500 biliões de euros na Defesa.."Sabemos que (...) o forte investimento que os países europeus estão a fazer na indústria da guerra vai faltar noutras áreas. (...) A União Europeia não quer a guerra. Mas não se proteger seria uma atitude imprudente que poderia ter graves consequências no futuro.”.Mais próximos da fronteira russa os países bálticos e a Polónia foram dos que mais investiram em Defesa. Estónia, Letónia e Lituânia têm previsto chegar ao ano 2030 com investimentos em Defesa na ordem dos 5% do PIB. A Estónia registou o maior reforço militar da História recente do país. Dada a proximidade da fronteira russa o investimento dos países Bálticos é feito não apenas em armamento, mas também em pontes, estradas e sistemas avançados de vigilância. A defesa da sua população civil é uma das prioridades dos países Bálticos, nomeadamente com a construção de bunkers e na prevenção de interrupções de energia de comunicações.As recentes adesões da Finlândia e da Suécia à NATO aumentaram significativamente as potencialidades da NATO na Europa. A Finlândia, com uma fronteira com a Rússia de 1340km, possui uma das maiores forças de artilharia da Europa. Especialmente vocacionadas para a actuação num clima gélido e de floresta, a Finlândia, em conjunto com a Suécia e os restantes países nórdicos (Dinamarca e Noruega), possibilitam o controlo do Mar Báltico. Sobretudo a Suécia com uma Marinha moderna e a posse da Ilha de Gotland. Esta realidade é, pois, uma mais-valia geopolítica europeia para a NATO.A Polónia é, também, um dos países que melhor conhecem a ameaça russa. Em 2025 a Polónia já investia 4,7% do PIB em Defesa. O seu objectivo orçamental futuro é um aumento anual de cerca de 20 a 25 mil milhões de euros destinados à Defesa. A Polónia possui, actualmente, um dos mais poderosos Exércitos enquadrados na NATO e tem como objectivo, a curto prazo, ser o país com o maior Exército terrestre em território europeu. Os investimentos polacos têm sido feitos em drones, na defesa aérea, em fortificações e nos HIMARS.Finalmente, ainda que já não pertença à União Europeia, o Reino Unido é importante numa lógica de dissuasão de uma eventual ameaça nuclear russa. É, tal como a França, uma potência nuclear. O Reino Unido possui dois porta -aviões e o seu investimento em Defesa, em 2025, era apenas de 2,5% do PIB, estimando-se que em 2035 possa atingir os 5% do PIB. O aumento do seu orçamento destina-se a novos aviões F-35, produção de munições e um forte investimento na expansão das suas capacidades digitais e de espionagem.Naturalmente não é esta trajectória de guerra que gostaríamos de ver para a Europa, onde Portugal se insere.Sabemos que o dinheiro não é infinito e que o forte investimento que os países europeus estão a fazer na indústria da guerra vai faltar noutras áreas. As prioridades que sempre foram as da Europa estão interrompidas. A cultura, a saúde, a componente social, a educação, a protecção à velhice, a qualidade de vida dos europeus irá ser prejudicada pelo forte investimento em Defesa que os países europeus estão a fazer para se defenderem. Esperemos que tudo se limite a uma lógica de dissuasão e que, uma terceira guerra mundial, não surja no horizonte por via da agressividade e do desatino geoestratégico que paira sobre alguns países, dos quais não escapam os Estados Unidos, com o imprevisível e inconsequente Trump.A União Europeia não quer a guerra. Mas não se proteger seria uma atitude imprudente que poderia ter graves consequências no futuro. A responsabilidade pela situação que a Europa vive hoje tem um rosto. O tal que Biden classificou de “ditador assassino” e “ rufia puro”. Putin, pois claro. Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico