Domingo, 12 de Abril, há eleições parlamentares na Hungria; eleições que o site Politico já qualificou como as mais importantes do ano na União Europeia.E a importância vê-se bem, pela maneira como as máquinas de propaganda se empenham na campanha eleitoral, com muitos dos órgãos de opinião de referência a elegerem Viktor Orbán e o seu partido Fidesz como os inimigos número 1 dos valores e princípios federalistas, progressistas e globalistas.Têm razão. Orbán e o Fidesz representam o nacionalismo conservador europeu e parecem ter compreendido, desde logo, a importância das ideias ou o carácter decisivo da batalha das ideias, da batalha cultural em que se ganham ou perdem as cabeças e os corações dos homens e das mulheres.O Fidesz (União Cívica Húngara) aderiu ao Partido Popular Europeu em 2000. Mas desde a sua volta ao poder, em 2010, perante o federalismo do Partido Popular Europeu, foi evoluindo para posições mais soberanistas e mais conservadoras em matéria de família e costumes, mostrando resistência em relação à “marcha do wokismo”. Daí que, embora, de parte a parte, se tentassem camuflar as divergências, houvesse um progressivo afastamento entre o governo da Hungria e o Partido Popular Europeu, agravado com a crise migratória e a subida ao poder, na Polónia, dos conservadores do Partido da Lei e Justiça.Entre 2015 e 2020 houve um período de ambiguidade; mas a partir daí, as relações entre Budapeste e a direção do Partido Popular Europeu entraram numa discordância aberta que se consumou em Fevereiro de 2021, com a saída do Fidesz. E em 2024, os nacional-conservadores húngaros formaram com outros partidos nacionalistas os Patriotas pela Europa, com uma clara linha soberanista, contrária ao federalismo e ao globalismo de populares, liberais, socialistas e verdes europeus. Os Patriotas são agora a terceira força no Parlamento Europeu, depois dos populares e dos socialistas. Além do Fidesz, integram este grupo, entre outros, o maior partido francês, o Rassemblement National, os austríacos do Partido da Liberdade e os portugueses do Chega.Por tudo isto, a eleição de domingo próximo transcende a mera questão doméstica. As sondagens mostram o Tisza, o partido de Peter Magyar, ex-partidário de Orbán, à frente do Fidesz. Magyar vem do Fidesz e, na campanha, tem tido o cuidado de se dizer de direita e de não afastar o eleitorado patriota e conservador. Como país da “linha de frente”, a Hungria é muito sensível aos perigos de escalada do conflito russo-ucraniano. Assim, embora proclame a sua vontade de se reaproximar da União Europeia, o líder do Tisza fala em salvaguardar uma “relação construtiva” com Moscovo.Orbán, numa carta aberta a Zelensky de 26 de Fevereiro, acusou-o de “querer instalar em Budapeste um governo pró-Ucrânia”, em conluio com Bruxelas e a oposição húngara. Jogando à defesa, Magyar declarou-se contrário ao fornecimento de armas à Ucrânia e ao favorecimento de uma “via rápida” de adesão à União Europeia para Kiev.O assunto quente, nesta matéria, é a reparação do oleoduto de Druzhba que, através da Ucrânia, traz petróleo russo para a Hungria e para a Eslováquia; oleoduto que está interrompido devido a um ataque russo – segundo Zelensky – ou por obra dos ucranianos, a fim de criarem descontentamento na Hungria – segundo Orbán e o governo eslovaco.Mas a hora é decisiva. Tão decisiva que JD Vance se deslocou à Hungria para apoiar Orbán. O autor escreve de acordo com a antiga ortografia