A cultura de volta às ruas de Cascais

Nuno Piteira Lopes

Presidente da Câmara Municipal de Cascais e vice-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses

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Em todas as comunidades, a cultura faz-se nas ruas e nos bairros onde os munícipes convivem e interagem entre si. É pelas suas mãos que, dia após dia, se vai formando a identidade das comunidades locais; e é também por esse motivo que a cultura é um dos pontos de partida da democracia.

Geralmente, como cada pessoa é obreira da cultura em que vive e da qual faz parte, o Estado não tem de a levar a casa das famílias. Estas transmitem-na entre si, de lar em lar, de geração em geração. Mas se o Estado o fizer, só poderá gerar mais vantagens.

No âmbito local, são os Municípios que ficam encarregues de levar a cultura das suas populações aos alpendres de cada família. E neste verão, a Câmara Municipal de Cascais tem feito isso mesmo, com o intuito de dar vida ao património histórico que herdou e que preserva continuamente.

No final deste mês, por exemplo, inaugurámos um projeto que traz o fado de volta às suas origens cascalenses.

Cascais sempre foi uma terra de fado. Com o passar do tempo, foram vários os nomes que ficaram ligados ao nosso concelho através desta arte. Amália ou Carlos Zel são os nomes que mais se associam à nossa terra. Mas temos também o exemplo do famoso Rodrigo, que se chegou mesmo a autointitular “o fadista de Cascais”.

Ora, com o projeto “Rua do Fado – A Festa do Fado em Cascais”, Cascais traz o fado de volta às ruas, aos locais onde foi pensado e cantado pela primeira vez. Em locais como a Escadaria do Largo da Misericórdia, o Largo de Camões, o Jardim Visconde da Luz e o Passeio Maria Pia, vários fadistas vão ser recebidos quase todos os domingos até ao início do mês de setembro para devolver às pessoas a arte, cultura e identidade que foram por elas criadas.

Com novos intérpretes e novas figuras de proa, relançámos uma tradição que liga as famílias cascalenses umas às outras e à sua terra. Fizemos da cultura aquilo que ela realmente é: o eixo de ligação entre pessoas da mesma comunidade. O resultado das obras de um povo ao longo de gerações e gerações.

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