Há 40 anos que Portugal recebe dinheiro europeu e continua a perder terreno. Desde a entrada na União Europeia, em 1986, passaram por cá 167 mil milhões de euros em fundos. O resultado está à vista: países que começaram mais atrás, como a Lituânia ou a Estónia, já nos ultrapassaram.
O problema nunca foi a falta de dinheiro. Foi a forma como foi gerido.
Essa gestão tem um padrão. Os gastos do Estado Português não param de crescer. A despesa pública atingiu os 140 mil milhões de euros, o valor mais alto de sempre, e continua a subir. Quando falta dinheiro, a resposta é sempre a mesma: pedir mais a quem trabalha, nunca cortar do lado de quem gasta.
É a classe média que paga essa conta, sozinha, há décadas. Trabalha, poupa, arrisca. E recebe cada vez menos por isso. Paga a má gestão, a ineficiência, a incompetência de um Estado que falha na saúde, na educação, na habitação, e depois vai gastar dinheiro onde não faz falta nenhuma.
Veja-se o exemplo recente. Enquanto o custo de vida sobe e os serviços públicos essenciais continuam a falhar, a grande medida do Governo é um fundo soberano para comprar uma participação na REN, financiado pelo trabalho de quem já contribui todos os meses. Isto tem um nome. Confisco.
Há uma razão para isto se manter assim, geração após geração. A classe média encolheu, em número e em rendimento, e por isso pesa cada vez menos nas urnas. Já não decide eleições como decidia. Deixou de ser prioridade. Onde há votos, há promessas. Onde não há, ficamos com o silêncio.
O PS nunca a tratou como prioridade. O PSD diz que quer mudar e depois vota contra isentar contas poupança, contra reduzir a sério o IRS, contra alargar a concertação social. Teve oportunidades de agir e escolheu não agir. O Chega, esse, oferece mais Estado com mais incompetência.
A Iniciativa Liberal é o único partido que fala pela classe média, que defende a classe média, que apresenta propostas para a classe média. Porque sem uma classe média forte não há empresas a nascer, não há poupança a financiar investimento, não há país capaz de competir com ninguém.
Simplificar o IRS, com menos escalões e taxas mais baixas. Devolver a quem trabalha o que já é seu.
Cortar a burocracia, o pior imposto que existe porque não financia nada e só consome tempo a quem produz.
Reformar as pensões através de capitalização, com uma conta em nome de cada trabalhador, que possa consultar e sobre a qual decida. Hoje, quem tem trinta anos vai reformar-se com menos de quarenta por cento do último salário e ninguém teve coragem de mudar isso.
É esta a diferença. Não prometer mais Estado nem mais silêncio. Propor o que ainda falta fazer.