Um júri da Califórnia (Estados Unidos) condenou no final da semana passada a Meta (dona do Facebook e Instagram) e a Google (proprietária do YouTube) ao pagamento de 3,5 milhões de euros de indemnização a uma jovem que processou as empresas afirmando que as suas redes sociais lhe provocaram “dependência” e problemas de “ansiedade, depressão e dismorfia corporal”. K.G.M., como foi identificada, e os seus advogados defenderam em tribunal que situações como o scroll infinito, notificações constantes e a reprodução automática de vídeos foram concebidas para estimular o uso dessas plataformas e manter os utilizadores ligados ao ecrã.Em resposta, a Meta defendeu que os problemas emocionais decorriam do ambiente familiar. Já o YouTube afiançou que a autora do processo passava pouco mais de um minuto por dia nos conteúdos que considerava viciantes.O certo é que os jurados consideraram que Meta e Google tinham sido negligentes ao disponibilizarem aplicações que, eventualmente, viciavam jovens e adolescentes e não os alertavam para os perigos que, alegadamente, enfrentariam. E, assim, decidiram pela condenação das duas empresas de tecnologia. Uma sentença que agravou um final de semana complicado para a Meta, que poucas horas antes tinha sido multada por um júri no Novo México (EUA) ao pagamento de 325 milhões de euros por ter sido considerado que esta não protegia as crianças dos riscos das suas plataformas.Estes dois casos, independentemente da importância judicial que têm e do seu impacto no futuro, voltam a colocar na discussão pública a influência das redes sociais e o uso dos telemóveis.Aliás, a Comissão Europeia, no início de fevereiro, já tinha denunciado que o design viciante do TikTok viola a Lei dos Serviços Digitais da Europa e não protege adequadamente os utilizadores.Sabendo-se que em Portugal, por exemplo, os jovens passam, em média, pelo menos três horas/dia na internet e que isso tem custos na saúde física (má postura e sedentarismo), mental (depressão, ansiedade) e no desenvolvimento infantil, talvez estas decisões dos tribunais norte-americanos possam ser um reforço dos alertas para os perigos do uso de redes sociais de forma compulsiva. .Austrália ameaça multar TikTok, Instagram e YouTube por não proteger menores .Telemóveis, sim ou não? Cada um com a sua verdade