Sendo Portugal uma das mais antigas nações do mundo, as pessoas da minha geração começaram por aprender que tínhamos uma nação com mais de oito séculos de História. Hoje estamos a 17 anos de uma nação com nove séculos.Agora que estamos a menos de duas décadas dessa data redonda, entendeu o Governo criar uma comissão para celebrar 900 anos da Fundação de Portugal.O envolvimento do actual e dos anteriores Presidentes da República é um sinal de credibilidade e responsabilidade e a escolha de Paulo Portas para comissário-geral, sendo discutível como é qualquer escolha, parece-me criteriosa.Ter desempenhado funções políticas de relevo não pode ser uma capitis deminutio, e, motivar para a tarefa alguém que conhece o país e o mundo, culto e preparado, e que comunica frequentemente com os portugueses, deve ser gerador da nossa confiança.Confesso que fazer o anúncio em Guimarães, centrar as comemorações no “período fundacional” e balizar as comemorações em três datas, já me parece um pouco salazarento e, sobretudo, tributário de um discurso historiográfico ultrapassado há muitas décadas.Mas, esta crónica não é sobre o passado.Celebrar a Pátria é construir o amanhã e, daí, o meu desafio singelo.Não conseguiremos adivinhar o futuro, mas é possível trabalhar para nos colocarmos de acordo sobre o país que queremos ser em 2043.Nesse ano estarão na plenitude da sua vida activa, ou a terminá-la, os portugueses que nasceram a partir de 1980.O primeiro grande desígnio seria o de confiar a estes, e só a estes, a definição do país que querem ter em 2043.A par da história seria muito interessante ter uma comissão diversa, plural e jovem que trabalhasse para fixar a ambição de futuro para si própria e para os seus filhos e netos.Com que modelo económico e produtivo queremos entrar no nosso 10.º século, com que população e com que equilíbrio entre a sua inevitável diversidade, ou com que relação com o nosso território.Há nove séculos conquistámo-lo pela força da espada, no último século, a ritmos diferentes, fomo-lo abandonando e no nosso século X como estaremos?Entre os que aqui nasceram, têm aqui raízes e aqui ficaram, os que aqui tendo nascido cumpriram o nosso desígnio de partir e regressar, e aqueles que, na sua diversidade, aqui encontram o seu lar, o desafio de construir um quadro alargado de concordância sobre os desígnios essenciais para o nosso século X é o mais nobre e importante desafio da nossa Pátria.Honrar a nossa História é não permitir que à independência de há 900 anos não suceda a dependência de amanhã.Que o poder da finança não derrote o poder da espada, é o que peço aos que nos sucederem. Escreve sem aplicação do novo Acordo Ortográfico