Está a chegar o grande espetáculo anual da final da Liga dos Campeões. É já este sábado, a partir das 17h00, que Paris Saint-Germain e Arsenal disputam o jogo mais desejado pelos maiores emblemas da Europa. Será a 71.ª final da principal – agora milionária – prova da UEFA e irá coroar o 25.º Campeão Europeu da história, no caso de os ingleses vencerem, ou colocar os parisienses na galeria de clubes que conquistaram o troféu em anos consecutivos, uma proeza alcançada até agora por Real Madrid (um penta e um tri), Ajax (um tri), Bayern Munique (tri), Benfica (bis), Inter Milão (bis), Liverpool (bis), Nottingham Forest (bis) e AC Milan (bis).Será, ao mesmo tempo, uma espécie de homenagem a uma das maiores estrelas de sempre da Taça/Liga dos Campeões: o húngaro Ferenc Puskás, que venceu a orelhuda por três vezes. A final será disputada no estádio com o seu nome, em Budapeste, numa espécie de tributo aos nomes que esta competição tornou imortais, desde os pioneiros Alfredo Di Stéfano e Eusébio aos mais recentes extraterrestres Cristiano Ronaldo e Lionel Messi.Ao longo dos anos, as finais da Champions deram-nos momentos de interminável tristeza coletiva, como quando a 29 de maio de 1985 o jogo passou para segundo plano devido a uma batalha nas bancadas entre adeptos do Liverpool e da Juventus que causou 39 mortos e um número indeterminado de feridos. Nesse final de tarde em Bruxelas, poucos se devem recordar de quem venceu um jogo que não devia ter acontecido, mas ninguém esqueceu as imagens violentas e muito duras que entraram pelas casas de todos nós, num episódio que ficou conhecido como a Tragédia de Hysel Park.Este foi, felizmente, um episódio que não voltou a repetir-se e tem vindo a ser superado por momentos épicos de felicidade e desespero que só o desporto tem o condão de nos proporcionar. Como aquela final de 1999, em Barcelona, quando adeptos e jogadores do Bayern Munique já faziam a festa ao minuto 90, mas dois golos de rajada no tempo extra transportaram a euforia para o lado do Manchester United. Ou a mítica final de Istambul, em 2005, na qual um super AC Milan vencia ao intervalo um destroçado Liverpool, por 3-0, com os ingleses a irem buscar forças sabe-se lá onde para empatar o jogo e conquistar o troféu no desempate por penáltis. São momentos como estes que tornam a Liga dos Campeões tão especial. E é por momentos como este que milhões de pessoas em todo o mundo vão estar à frente das televisões. Das equipas portuguesas ficam os relatos dos feitos do Benfica de 1960 e 1961, bem como as proezas do FC Porto em 1987 e 2004. E até as cinco finais perdidas pelos encarnados são, ao dia de hoje, vistas como algo inalcançável, porque a Champions tornou-se uma competição só ao alcance dos clubes mais ricos da Europa. Por isso, resta-nos vibrar com os jogadores portugueses – e têm sido muitos – que têm vencido o mais desejado troféu do futebol de clubes. No sábado, Nuno Mendes, João Neves, Vitinha e Gonçalo Ramos lá estarão a defender a honra lusitana. Mas, mais do que isso, o importante é que a final de Budapeste nos dê novos momentos inesquecíveis, daqueles que entram no imaginário coletivo.