O FC Porto joga no sábado o primeiro de três match points possíveis (Alverca, AFS e Santa Clara) para selar a conquista do campeonato nacional, 31.º da história dos dragões, 13.º deste século e 1.º sob a presidência de André Villas-Boas. Frente ao Alverca, no Dragão, pelas 20h30, está montado o cenário perfeito para os portistas regressarem ao título que lhe foge desde 2021/22, bastando uma vitória para que tal aconteça. A confirmar-se o regresso aos Aliados, o triunfo fechará também com chave de ouro a aposta arriscada que André Villas-Boas fez para esta temporada, recrutando um novo treinador, o italiano Francesco Farioli (após os falhanços nas suas primeiras duas escolhas, Vítor Bruno e Martín Anselmi), e dotando-o de um robusto reforço do plantel, algo que não tinha acontecido com os seus antecessores e que parecia quase impossível há bem pouco tempo, quando, na transição de poder no clube, e já depois de este ter estado sob vigilância financeira da UEFA, entre 2017 e 2022, se acumulavam notícias sobre uma profunda crise de tesouraria. Villas-Boas chegou mesmo a dizer que o FC Porto viveu no “espetro da ruína financeira”, após uma auditoria forense às contas ter revelado várias irregularidades na gestão do clube sob a anterior administração, desde o pagamento de viagens pessoais a membros e família de elementos da claque Super Dragões a um elevado número de despesas de representação de dirigentes sem documentação que comprovasse a sua natureza.A estratégia para o futebol, para dar certo, precisava de resultar num título. Não um qualquer, mas este em específico, o campeonato nacional, que vale também ao acesso direto aos milhões da participação na Champions. Mas como no futebol nada é garantido, e o fracasso desportivo poderia dar origem rapidamente a um novo período de instabilidade, o FC Porto foi executando internamente um trabalho de costura, para unir sócios e simpatizantes, através de uma outra estratégia, ao nível da comunicação, que não passou despercebida aos adeptos mais atentos. A reação do clube à morte de Pinto da Costa foi meio caminho andado para sarar feridas que restassem da disputa eleitoral. Quando o histórico ex-presidente morreu, em fevereiro de 2025, foram depositados pelos adeptos junto ao estádio milhares de objetos – cachecóis, cartas, cartões de sócio e muitos mais – em homenagem ao dirigente. Todo esse material foi recolhido por uma equipa especializada e, mais tarde, disposto nos corredores internos do estádio, perpetuando a memória de Pinto da Costa no Dragão. A este acrescentam-se outros exemplos de como agrupar os adeptos em torno do clube. Um deles foi a recente cerimónia de atribuição das Rosetas de Ouro, entregues em mãos pelo presidente do clube, na tribuna VIP do estádio, aos 383 associados que celebraram este 50 anos de ligação ao FC Porto. Outro passou pela visibilidade que o clube tem dado ao futebol feminino nos canais e redes portistas, captando novos públicos, tendo a equipa correspondido com a conquista da II Liga, que dá acesso ao principal escalão, e presença na final da Taça de Portugal, a 17 de maio, frente ao hexacampeão nacional Benfica.Os méritos do título portista devem, obviamente, ser repartidos por jogadores, equipa técnica, estrutura de apoio e dirigentes, sem esquecer o falecido diretor desportivo e ex-capitão Jorge Costa, que contribuiu bastante para a formação deste plantel. Mas é inegável que, pelo menos nesta época, a fatia maior caberá a André Villas-Boas. Resta confirmar a conquista em campo e, nisso, o Alverca terá sempre uma palavra a dizer.