A Colômbia era o adversário ideal para medir o pulso ao sonho português.⠀Apesar do apuramento para os 16 avos de final já estar garantido, ainda havia muito em jogo neste embate. Para além da importância de ficar em 1.º lugar, este teste era excelente para perceber o verdadeiro nível competitivo de Portugal.⠀Ao contrário dos jogos com a RD Congo e o Uzbequistão, tínhamos agora pela frente um adversário com fortes argumentos individuais e coletivos para ameaçar ofensivamente e tomar a iniciativa do jogo.⠀Infelizmente, a nossa Seleção não passou as melhores sensações. Não há outra forma de o dizer: o empate acabou por ser um resultado bastante simpático para nós. Mesmo sem precisar de o fazer, a Colômbia foi quem mais procurou ganhar.⠀A forma como competimos deixa claro que, frente a adversários superiores ou de igual valia, não temos a capacidade nem a intenção clara de dominar e mandar no jogo — o que, na teoria, devíamos ter face à qualidade dos nossos jogadores.⠀Coletivamente, Portugal não está num patamar de favorito a ganhar o Mundial. Este jogo frente à Colômbia foi a prova disso.⠀Mesmo com a pressão de ganhar do nosso lado, fomos simplesmente inferiores. Não fomos capazes de controlar o jogo com bola nem de ter posses prolongadas. Os nossos momentos de posse resumiram-se a uma circulação lenta à procura do jogo exterior. Faltou criatividade e dinâmicas fortes no jogo interior — basta comparar com a Colômbia, que, colocando muitos jogadores em zonas centrais, cria atrações por dentro para depois explorar os espaços na largura, sobretudo com as movimentações dos laterais desde trás.⠀O perigo que criámos surgiu quase sempre em transição ou através de iniciativas individuais dos nossos extremos.⠀A nível defensivo, também há aspectos bastante alarmantes. A pressão é facilmente ultrapassada e a transição defensiva é uma enorme debilidade. É recorrente estarmos expostos a contra-ataques após perdas de bola por erros na definição das jogadas. Jogamos com as linhas pouco juntas, não reagimos rápido à perda e deixamos “crateras” para o adversário transitar.⠀A juntar a isto, nunca conseguimos igualar a intensidade e agressividade da Colômbia nos duelos e nas segundas bolas. O calor não pode servir de desculpa para tanta passividade sem bola.⠀Acima de tudo, o que mais preocupação e até alguma tristeza causou foi a falta de ambição e “arrogância” da nossa Seleção.⠀Pelas declarações de Roberto Martínez e de alguns jogadores no final do jogo, a exibição e o resultado foram encarados com agrado. Ficou claro que, mesmo tendo argumentos individuais para sermos uma das melhores seleções do mundo, a mentalidade da equipa não a eleva a esse patamar.⠀É uma realidade que existem várias formas de ter sucesso no futebol. Em 2016, Portugal venceu o Europeu adotando uma postura pragmática, sustentada numa boa organização defensiva e numa fortíssima atitude competitiva. Neste Mundial, creio que se justificava outro tipo de abordagem e mentalidade.⠀Independentemente do adversário, devíamos querer assumir a partida e não fugir à nossa identidade. No entanto, parece que não é essa a ideia do nosso grupo — e, em específico, do nosso selecionador.⠀As ausências de uma forte identidade coletiva e de ambição de querer ser protagonista terão de ser compensadas por um enorme espírito de sacrifício. Não existindo brilho, terá de ser pela atitude…